Lobo marinho nas praias APA Baleia franca (Foto ICMBio)
POR – ICMBio / NEO MONDO
Apesar da ocorrência dessas espécies no litoral brasileiro, as colônias reprodutivas mais próximas estão localizadas no Uruguai e na Argentina
Nos últimos dias, a APA da Baleia Franca tem recebido ligações de turistas e moradores das praias alertando para a presença de lobos marinhos nas praias da Unidade de Conservação. A presença de lobos e leões marinhos na costa sul do Brasil, durante o inverno e a primavera, é um fenômeno natural e está ligado ao ciclo de vida dessas espécies. Os lobos e leões marinhos, assim como as focas e as morsas, são mamíferos marinhos pertencentes ao grupo dos Pinípedes que, diferentemente dos golfinhos e das baleias, utilizam o ambiente terrestre para realizarem algumas atividades como troca de pelo, reprodução, cuidado dos filhotes e descanso.
O período de acasalamento e de nascimento dos filhotes para ambas as espécies ocorre durante o verão. Após o período de reprodução e troca de pelo os animais deixam as colônias reprodutivas. Este período é denominado de dispersão pós-reprodutiva e refere-se a etapa do ciclo de vida a qual os animais abandonam as colônias à procura de alimento. Em virtude do sul do Brasil ser uma importante área de alimentação para estas espécies é comum observamos a presença de alguns indivíduos descansando nas praias gaúchas e catarinenses durante o inverno e a primavera. A predominância de indivíduos machos adultos e juvenis de ambos os sexos, deve-se ao fato das fêmeas adultas permanecem próximo às colônias para cuidar dos filhotes.
Durante esse período as fêmeas realizam curtos deslocamentos para se alimentarem, retornando à colônia para amamentarem seus filhotes. O desmame dos filhotes ocorre entre os meses de julho a novembro após um período de amamentação que varia de 8 a 12 meses.
A partir desse momento os filhotes começam a abandonar as colônias reprodutivas em busca de alimento. Durante essa fase de transição entre o ambiente terrestre e marinho é comum utilizarem as praias do litoral sul brasileiro para descansarem. No entanto, por se tratar de uma etapa crítica do ciclo de vida, na qual o animal passa a não depender mais da mãe para se alimentar, alguns podem ter dificuldade de procurar seu próprio alimento e acabam debilitados. Embora a presença desses animais nas praias do sul do Brasil seja considerada um evento natural, flutuações interanuais podem ser observadas.
Tais variações no número de animais podem estar atreladas a fatores demográficos e ambientais. Em anos com maior número de nascimentos, por exemplo, a tendência é que mais filhotes sejam observados nas praias comparado com anos com menor número de nascimentos. Outra explicação pode estar atrelada as variações interanuais na disponibilidade de alimento devido a fatores climáticos como o El Niño e a La Niña.
Independentemente das variações interanuais que são observadas, o ciclo de vida anual dessas espécies não se altera. Isto significa que a cada inverno e primavera teremos a possibilidade de ver esses animais retornando às praias do sul do Brasil. É importante ressaltar que o ambiente praial faz parte do habitat dos Pinípedes e, portanto, eles costumam ficar bem à vontade na praia, geralmente deitados com as nadadeiras junto ao corpo, em alguns casos podem ficar se esfregando na areia ou até mesmo sentados se coçando.