POR – LACOMUNICA / NEO MONDO
O que uma das maiores empresas de produtos de limpeza e higiene do mundo e as palmeiras de Carnaúba do interior do Piauí têm em comum?
E quando um império global é erguido a partir do manejo sustentável das carnaubeiras da Caatinga, um bioma exclusivamente brasileiro? A relação não é recente, e foi assim que no século passado, Brasil e EUA começaram uma história de conservação, resultando no que hoje chamamos de Reserva Natural da Serra das Almas, um paraíso das palmeiras e de exuberante biodiversidade de fauna e flora, na divisa do Piauí e do Ceará. Esse capítulo da história começa com o americano Hebert F. Johnson Junior, em 1935, quando viaja ao Nordeste do Brasil, em busca de reservas permanentes da palmeira de carnaúba, matéria-prima da cera para chão Johnson’s Wax. E, em 1998, com a criação da Reserva Natural, hoje um patrimônio de nosso país.
Característica do semiárido do nordeste brasileiro, a carnaúba é a árvore símbolo do estado do Ceará, líder na produção de cera extraída de suas folhas, que tem a produção estimada em 18.000 toneladas de cera por ano. E foi justamente no estado que os laços entre a família Johnson e o Brasil se estreitaram ainda mais. Após recriar a viagem de seu pai para conhecer a matéria-prima da indústria, em 1998, Sam Johnson, bisneto do fundador da marca, fundou a Associação Caatinga, organização que tem a missão de promover a conservação das terras, florestas e águas do Bioma.
A Caatinga é o lar da carnaúba, também conhecida como Árvore da Vida pelas possibilidades que seus frutos e folhas têm de gerar fonte de emprego e renda para um grande contingente de mão de obra. A colheita da carnaúba, cujas propriedades são base para centenas de produtos (de balas de chocolates a remédios), acontece agora entre os meses de agosto e dezembro, época em que há uma forte carência de ocupação produtiva na agricultura familiar da região, por conta da frequente ausência de chuvas, o que faz dessa atividade fator essencial para a fixação do homem no campo.