Foto – Pixabay
POR – AVIV COMUNICAÇÃO / NEO MONDO
Pesquisa conclui que centenas de milhões de pessoas acima do estimado anteriormente poderão viver em áreas sob risco de avanço do mar causado pela mudança do clima no futuro, sendo que as populações mais vulneráveis se encontram na Ásia
Até 2050, o aumento do nível do mar pode intensificar as inundações costeiras, afetando mais de 300 milhões de pessoas, de acordo com um estudo da Climate Central publicado hoje na revista Nature Communications. As linhas de maré alta poderão se elevar permanentemente acima de terras ocupadas por cerca de 150 milhões de pessoas, 30 milhões das quais na China.
Essas conclusões são baseadas no CoastalDEM, um novo modelo digital de elevação desenvolvido pela Climate Central. Pesquisadores usaram métodos de autoaprendizagem para corrigir erros sistemáticos no principal conjunto de dados de elevação usado até agora para avaliação internacional dos riscos de inundações costeiras, a Shuttle Radar Topography Mission (SRTM) da Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA). As estimativas derivadas do CoastalDEM da população global em risco são três vezes maiores do que os valores produzidos usando dados de elevação SRTM.
O estudo publicado pela Climate Central detalha conclusões de análises individuais de 135 países em diversos cenários climáticos e períodos. Os pesquisadores também utilizaram seus novos dados de elevação para produzir mapas interativos que permitem explorar, no nível da vizinhança, as áreas ameaçadas pelo aumento do nível do mar ao redor do mundo.
Seis países asiáticos (China, Bangladesh, Índia, Vietnã, Indonésia e Tailândia) concentram a grande maioria da população que vive em lugares que, sem defesas costeiras, poderiam sofrer com inundações do mar pelo menos anualmente até 2050 – aproximadamente 237 milhões de pessoas, mais do que quatro vezes as estimativas baseadas nos dados antigos de elevação.
Foto – Pixabay
Países asiáticos sob ameaça crescente
Análises baseadas nos dados melhorados sobre elevação concluíram que, mesmo reduções moderadas nas emissões de gases de efeito estufa, áreas em seis países asiáticos que abrigam 237 milhões de pessoas hoje podem enfrentar inundações costeiras anuais até 2050, cerca de 183 milhões a mais do que o indicado por avaliações baseadas nos dados anteriores*.
#1: China 93 milhões (dados novos) vs. 29 milhões (dados antigos)
#2: Bangladesh 42 milhões vs. 5 milhões
#3: Índia 36 milhões vs. 5 milhões
#4: Vietnã 31 milhões vs. 9 milhões
#5: Indonésia 23 milhões vs. 5 milhões
#6: Tailândia 12 milhões vs. 1 milhão
Até 2100, se essas avaliações tiverem em conta as emissões não controladas e o potencial de instabilidade precoce da camada de gelo, verifica-se que os terrenos onde vivem atualmente 250 milhões de pessoas nesses seis países cairão abaixo da linha da maré alta, quase cinco vezes a mais do que as avaliações baseadas nos dados anteriores sobre elevação*.
#1: China 87 milhões vs. 26 milhões
#2: Bangladesh 50 milhões vs. 6 milhões
#3: Índia 38 milhões vs. 6 milhões
#4: Vietnã 35 milhões vs. 13 milhões
#5: Indonésia 27 milhões vs. 6 milhões
#6: Tailândia 13 milhões vs. 2 milhões
“Essas avaliações mostram o potencial da mudança do clima para remodelar cidades, economias, costas e regiões globais inteiras dentro de nossas vidas”, afirmou o Dr. Scott Kulp, cientista sênior da Climate Central e principal autor do estudo. “À medida que a linha da maré sobe mais do que o solo que as pessoas chamam hoje de lar, as nações de confrontarão cada vez mais com perguntas sobre se, quanto e por quanto tempo as defesas costeiras podem protegê-las”, disse Kulp.
Algumas das vulnerabilidades reveladas pela pesquisa da Climate Central já existem hoje, sendo que paredões, diques e outras defesas costeiras permitem que cerca de 110 milhões de pessoas vivam em terras abaixo da linha da maré alta. O estudo não considera o impacto de defesas atuais e futuras por falta de informação.
Foto – Pixabay
No caso do Brasil, o número de pessoas pessoas vivendo atualmente em áreas com risco de inundações provocadas pela elevação do nível do mar pelo menos uma vez por ano passou de 310 mil para 1,2 milhão. As pessoas vivendo abaixo da linha da maré alta em nosso país saltou de 200 mil para 770 mil. As projeções para o Brasil contidas no estudo são:
Cenário conservador em relação à estabilidade das calotas polares e assumindo um corte rápido nas emissões dos gases de efeito estufa:
2050 – inundações provocadas pela elevação do nível do mar pelo menos uma vez por ano : estimativa atual = 360 mil, nova estimativa = 1,4 milhão
2100 – inundações provocadas pela elevação do nível do mar pelo menos uma vez por ano : estimativa atual = 420 mil, nova estimativa = 1,6 milhão
2050 – pessoas vivendo abaixo da linha da maré alta : estimativa atual = 250 mil, nova estimativa = 940 mil
2100 – pessoas vivendo abaixo da linha da maré alta : estimativa atual = 300 mil, nova estimativa = 1,1 milhão
Para um cenário onde a estabilidade das calotas é menor e o nível de emissões de gases de efeito estufa cresce continuamente, as projeções são:
2050 – inundações provocadas pela elevação do nível do mar pelo menos uma vez por ano : estimativa atual = 380 mil, nova estimativa = 1,4 milhão
2100 – inundações provocadas pela elevação do nível do mar pelo menos uma vez por ano : estimativa atual = 930 mil, nova estimativa = 3,4 milhões
2050 – pessoas vivendo abaixo da linha da maré alta : estimativa atual = 260 mil, nova estimativa = 980 mil
2100 – pessoas vivendo abaixo da linha da maré alta : estimativa atual = 680 mil, nova estimativa = 2,3 milhões
O link para a tabela com todos os dados pode ser encontrado aqui, junto com o link para o estudo: https://climatecentral.org/news/report-flooded-future-global-vulnerability-to-sea-level-rise-worse-than-previously-understood
Foto – Roger Mosley por Pixabay
Como o CoastalDEM identifica uma grande ameaça
O principal conjunto de dados sobre elevação utilizado para pesquisa costeira global, o SRTM, mede as elevações das superfícies mais próximas do céu, como copas de árvores e telhados, sempre que bloqueiam o solo. Como resultado, ele superestima as elevações costeiras em mais de dois metros em média e mais de quatro metros em áreas urbanas de alta densidade, indicando falsa segurança contra inundações e aumento do nível do mar. O CoastalDEM reduz esses erros para aproximadamente dez centímetros em média.
Um conjunto de nações coletou e publicou dados de elevação mais precisos, geralmente baseados no lidar aéreo; o CoastalDEM foi calibrado e validado usando principalmente esses dados.
“Para toda a pesquisa crítica realizada sobre mudança do clima e as projeções do nível do mar, verifica-se que na maior parte da costa global não conhecíamos a altura do solo sob nossos pés”, afirmou o Dr. Benjamin Strauss, cientista-chefe e CEO da Climate Central e coautor do estudo. “Nossos dados melhoram a situação, mas ainda há uma grande necessidade de governos e empresas aeroespaciais de produzir e liberar dados de elevação mais precisos. Vidas e meios de subsistência dependem disso”.
Nível de ameaça depende das emissões de carbono
Até o final deste século, avaliações baseadas no CoastalDEM concluem que, sem defesas, terras que hoje são o lar de quase 420 milhões de pessoas em todo o mundo poderão se tornar vulneráveis a inundações costeiras anuais, mesmo se cortes moderados nas emissões de carbono forem realizados. A estimativa sumarizada aqui provavelmente é conservadora porque ela é baseada em projeções de nível de mar padrão e reduções de emissões de carbono em linha com as metas do Acordo de Paris de 2015, que os esforços globais até o presente momento indicam que não estão viáveis. Estimativas baseadas em emissões não controladas e o potencial de início precoce da instabilidade da camada de gelo projetam que o aumento do nível do mar poderia ameaçar áreas onde hoje vivem 630 milhões de pessoas – 340 milhões em regiões que podem estar abaixo da linha da maré alta em 2100. Em oito países asiáticos, esse cenário significa que a maré alta regular seria mais elevada do que o nível do solo em regiões que abrigam hoje ao menos 10 milhões de pessoas.
Populações em terras sob risco de inundação regular pela maré até 2100 (avaliações baseadas no CoastalDEM vs. dados anteriores sobre elevação)
#1: China 87 milhões vs. 26 milhões
#2: Bangladesh 50 milhões vs. 6 milhões
#3: Índia 38 milhões vs. 6 milhões
#4: Vietnã 35 milhões vs. 13 milhões
#5: Indonésia 27 milhões vs. 6 milhões
#6: Tailândia 13 milhões vs. 2 milhões
#7: Japão 12 milhões vs. 7 milhões
#8: Filipinas 11 milhões vs. 2 milhões