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ARTIGO
POR – LUIZ FERNANDO QUAGLIO*, PARA NEO MONDO
Se a boiada deveria passar, estava faltando o “boi-de-piranha”. Após eleição de Biden, forte pressão ambiental internacional se abateu sobre o governo Bolsonaro. O incômodo também reverberou no agroexportador brasileiro.
EUA corre pra dizer ao mundo que governo brasileiro está “sob controle”, que a Amazônia está “protegida”, que novas políticas serão implementadas ao passo que seu governo ‘green’ exerce influência direta sobre o Brasil nesta segunda etapa de “disputa” comercial com chineses, com o acréscimo direto do elemento “Socioambiental”.
A queda de Ricardo é representativa sob alguns aspectos:
– Chegou-se ao limite de pressão, em especial e para além da atuação desastrosa de Salles, as investigações da PF sob a pasta e “anúncio de bomba do STF”.
– Pretende-se demonstrar uma guinada nas políticas socioambientais brasileiras. Uma tentativa de retomada da imagem do país e mitigação de possíveis perdas de investimentos num momento crucial de retomada econômica. Um desinvestimento internacional em empresas e setores chave nesse momento seria mortal para a economia brasileira, e uma pá de cal para a popularidade do Governo, há 1 ano e 5 meses das eleições.
– Ratifica-se uma forte influência dos Agroexportadores no governo. Setor importante para o PIB, mas, também, fundamental do ponto de vista eleitoral e de apoio ao governo Bolsonaro.
– O aceno positivo em fala final de Bolsonaro a Salles (o elogiando) permite dizer que há setores que eram contra a sua demissão. E de que sua saída, para Bolsonaro era controverso. No entanto, dados os riscos necessário para mitigar possíveis danos futuros, a demissão é, para além de mudança de foco político em meio a CPI e escândalos de corrupção, um ato com cheiro e cor de cálculo político eleitoral
– Guinadas “green” autônomas e dentro de um projeto macro são improváveis. Podemos ver breves demonstrações e anúncios, mas nada que seja estrutural (PL 3729 em seu texto base foi aprovada e segue regulamentação do mercado de carbono em discussão na agenda).
O novo ministro anunciado Joaquim Álvaro Pereira Leite era Secretário da Secretaria da Amazônia e Serviços Ambientais (MMA), já foi secretário de Florestas e Desenvolvimento Sustentável (MMA) e Diretor do Departamento Florestal. Ex conselheiro da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Segundo informações, ele tem forte relação com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) e apoiou publicamente a famosa fala de Salles “passar a boiada”.
O movimento é importante, mas é fundamental que se siga os próximos passos de atuação e de como agendas importantes de reconstrução da pasta serão endereçados a partir daqui. Há interesses se sobrepondo e novo ministro não ficará isento de acomodá-los. Em questões socioambientais, a materialização é infinitamente mais eficaz que a retórica.
*Luiz Fernando Quaglio – Especialista em ESG da Veedha Investimentos.