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ARTIGO
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POR – MÁRCIO JAPPE*, PARA NEO MONDO
Mesmo em contextos turbulentos, as festas de final de ano e o início do novo ciclo ensejam mensagens positivas, de celebração e de esperança por dias melhores. Com isto em mente, no lugar de uma leitura sobre sinais e tendências, este espaço será utilizado para expressar desejos para os negócios de impacto em 2022.
Em primeiro lugar, é preciso desejar que cada vez mais a tecnologia seja um pilar fundamental, uma verdadeira alavanca de criação de valor para os negócios de impacto. A tecnologia pode ajudar as soluções propostas a ganharem escala e relevância, além de potencializar a sua humanidade, efetivamente melhorando o bem-estar das pessoas em diferentes territórios. Ainda, a tecnologia também pode melhorar muito a eficiência dos meios destas organizações. Se a intencionalidade está no impacto, a tecnologia é condição sine qua non para potencializá-lo.
Em segundo lugar, é importante desejar que os negócios de impacto de todo o Brasil possam fazer parte de ecossistemas de inovação prósperos, densos e localizados, espalhados por todo o país. Isso significa mais pessoas com mais liberdade para inovar interagindo em contextos semelhantes, mais organizações consolidadas gerando valor compartilhado e coopetindo entre si, além de mais atores apoiando ativamente a inovação, tais como universidades e cursos técnicos preparando pessoas, agentes financiadores viabilizando a inovação e o estado deixando caminhos mais livres para a atuação das pessoas transformadoras.
Este tipo de movimento de inovação reverbera positivamente e de forma perene. E não pode acontecer apenas em grandes centros urbanos das regiões Sul e Sudeste – há muita potência humana fora destes lugares, tal como iniciativas em outras regiões ou mesmo na periferia dos grandes centros nos mostram.
Não menos importante, há o desejo de que estes negócios façam parte e sejam protagonistas em cadeias de valor relevantes, quer seja por meio da conexão com grandes empresas, quer seja porque suas soluções são inovações que geram mercado, que são ou se tornam grandes empresas e fomentam o surgimento de tantos outros negócios, tradicionais, inovadores e de impacto. E que este seja um caminho para uma atuação transformadora em territórios vulnerabilizados, onde enormes potenciais individuais são sufocados por contextos adversos e podem ser libertados por meio da inovação de impacto.
Finalmente, que as narrativas possam ser cada vez mais baseadas em dados relevantes de impacto positivo gerado. Que não se dependa apenas de casos isolados de destaque e sucesso, mas que sejam comunicados múltiplos casos de diferentes atores e diferentes iniciativas em diferentes estágios de desenvolvimento. Planejar, criar e medir impacto são desafios-chave para envolver diferentes e diversos atores – fazê-lo é crucial para potencializar a transformação liderada por negócios de impacto no Brasil.
Resumindo, que em 2022 os negócios de impacto: 1) se alavanquem com tecnologia nos seus meios e nos seus fins; 2) façam parte de ecossistemas de inovação prósperos, densos, localizados e espalhados pelo Brasil de forma descentralizada; 3) se conectem com grandes empresas e sejam protagonistas em cadeias de valor relevantes; e, não menos importante, 4) sejam capazes de gerar e mensurar resultados para potencializar uma narrativa realmente engajadora baseada em fatos e dados. Será que é desejar muito?
*Márcio Jappe é sócio-fundador da Semente Negócios, mestre em inovação, tecnologia e sustentabilidade pela UFRGS.