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POR – ELENI LOPES, DIRETORA DE REDAÇÃO
A palavra democracia tem origem grega e nasceu da junção de dois termos: demos (povo), kratos (poder). A liberdade de opinião e expressão é um dos seus maiores fundamentos; e o jornalismo tem papel essencial no acompanhamento e olhar crítico para seu contínuo aprimoramento.
O recém-lançado Como as Democracias Morrem, livro escrito pelos cientistas políticos e professores de Harvard Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, traz evidências históricas que mostram que a maioria das democracias morrem não por uma derrubada violenta dos governos, através de golpes ou revoluções, mas por um enfraquecimento gradual e contínuo das normas e instituições democráticas. E NEO MONDO acredita que este risco nunca esteve tão grande no Brasil quanto no momento atual, fruto de uma deliberada estratégia política que se intensificou nos últimos quatro anos.
NEO MONDO foi fundado há mais de 15 anos com a visão de fomentar a sustentabilidade no país, com base no tripé ambiental, social e econômico, quando o tema ainda era incipiente. E, em nossa história, nunca antes um governo ameaçou tanto a sustentabilidade de uma nação, indo do desrespeito às nações indígenas, “vistas grossas” ao aumento do desmatamento, passando pelo descaso com a educação até o desprezo com a morte de mais de 700 mil pessoas em decorrência da COVID-19, entre muitas outras aberrações.
Neste domingo, 2 de outubro, temos que nos lembrar mais do que nunca que estamos escolhendo o Brasil que queremos e acreditamos. E a equipe de NEO MONDO quer um país sustentável, consciente que as agendas ambiental, de inclusão social e respeito à diversidade não são obstáculos à retomada do crescimento de forma sustentável. Acreditamos na construção de um Brasil com menos desigualdade, mais saúde, educação, equidade de acesso e biomas preservados (que também são oportunidade de geração de desenvolvimento econômico). E, apesar de toda a atenção estar focada na eleição presidencial, a escolha de senadores, deputados federais, estaduais e governadores são tão ou mais importantes que a escolha do próximo presidente.
Por acreditarmos em nossa visão, estamos convictos de que o governo atual (e todos os que se aliaram a ele) merecem nosso desapreço e nossa convicta rejeição nas urnas no próximo domingo. Nossa cobertura é a prova do desmantelo intencional trazido pela atual administração em todos os níveis e esferas. Como democratas, confiamos no processo de eleições em dois turnos, para maior análise e aprofundamento de propostas. Mas não estamos em tempos normais, faz-se urgente uma decisão no primeiro turno para dar fim ao pesadelo bolsonarista, quando bem mais de mil candidatos para outros cargos sairão vencedores, diminuindo os argumentos e eventuais apoios aos ataques ao processo eleitoral do que a decisão no segundo turno.
Esta é a posição de NEOMONDO. Fazemos jornalismo independente, mas a urgência de defender uma democracia sob ataque se impõe. No próximo governo – porque confiamos na mudança – seguiremos com nosso olhar crítico e de defesa incondicional do avanço da sustentabilidade do país. Há muito a ser feito e retomado, cobrado e fiscalizado, jornalismo nunca pode ser governista. E assim seguiremos porque acreditamos que voltaremos à racionalidade do debate nacional.