Mapu Huni Kuin – Foto: @memebioma
POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Segundo liderança indígena, que estará palestrando no Congresso Internacional de Felicidade, é necessário mais avanços
Nos últimos meses, a realidade e a luta dos povos originários brasileiros estiveram no centro de um debate midiático com a aprovação na Câmara dos Deputados do projeto do marco temporal e demarcação das terras indígenas. O texto, que segue para votação no Senado, reforça, na visão de Mapu Huni Kuî, representante dos povos Huni Kui na ONU, a importância de lideranças indígenas fazerem parte da conjuntura governamental para elaboração de políticas públicas mais assertivas e voltadas aos interesses – e melhoria da qualidade de vida – dessa população.
“Neste momento, por exemplo, me desenvolvo para criar uma gestão territorial diferente da existente, de forma que os povos indígenas tenham segurança patrimonial. Busco sempre os direitos dos nossos povos e melhorias, afinal, ainda há muito para avançarmos”, compartilha o líder espiritual e curandeiro.
Detentores de saberes milenares e culturas riquíssimas, o patrimônio imaterial das mais de, segundo o Censo 2010, 305 etnias indígenas encontra-se em risco de extinção. Uma das formas de preservar esse conjunto é através da disseminação para além das comunidades, a fim de que mais pessoas possam conhecer e defender as tradições dos indígenas.
E, com esse propósito, a VI edição do Congresso Internacional de Felicidade – maior evento da América Latina sobre bem-estar e felicidade – trará uma palestra sobre felicidade para os primeiros habitantes do Brasil com Mapu para discutir o “jeito tupi guarani de ser feliz”, como coloca o idealizador do evento, Gustavo Arns:
“Todo ano nós buscamos trazer um representante dos povos originários para compartilhar a cosmovisão ancestral que é nossa, pois temos muito a aprender com essas tão ricas tradições. Precisamos fazer um resgate histórico importante para honrar e valorizar essas culturas, pois elas também são nossas. E, esse ano, o Mapu vem representando os Huni Kuin com seu conhecimento e sua sabedoria”.
O Congresso, que ocorre nos dias 18 e 19 de novembro em Curitiba, tem por intuito trazer pensadores e palestrantes para discutir a felicidade por diferentes prismas e a ideia da mesa “A felicidade está na simplicidade”, segundo Mapu, está encapsulada em seu título: como a felicidade, para os indígenas, está em ações cotidianas, muitas vezes não valorizadas.
“Tem sido cada vez mais difícil que as pessoas percebam que a felicidade mora na simplicidade e isso, infelizmente, tem custado a saúde das pessoas. Estamos vivendo em um tempo em que os índices de doenças psiquiátricas só aumentam, em que o contato com a terra – plantar, colher, andar de pés descalços – vem se perdendo, o que demonstra que, para estarmos felizes, precisamos estar conscientes e presentes, conectados com o nosso bem maior: a natureza”, finaliza o líder espiritual.
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