Figueira do Rio do Engenho, turismo ecológico na Reserva Natural Salto Morato (RNSM) – Foto: Adrian Moss
POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Reserva Natural Salto Morato é opção para conhecer e aproveitar os atrativos da Mata Atlântica, a Reserva é reconhecida pela Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade
O Dia Nacional do Turismo Ecológico, celebrado hoje, dia 1º de março, é uma oportunidade para estimular a conexão das pessoas com áreas naturais, aumentar a conscientização ambiental e incentivar o ecoturismo. Estar em contato com a natureza também é uma boa estratégia para conscientizar a sociedade sobre a importância de cuidar do patrimônio natural.
Para Carlos Augusto Figueiredo, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) e professor do Instituto de Biociências e do Programa de Pós-Graduação em Ecoturismo e Conservação na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), pessoas se afeiçoam às experiências vividas. “Se queremos que a humanidade, cada vez mais urbana, se responsabilize pela conservação da natureza, é preciso estimular a tendência já existente da procura de ecossistemas em bom estado de conservação para as horas de descanso e lazer. Só se dá valor ao que se conhece, só se conserva o que mexe com nossas emoções”, diz.
Opções de destinos e passeios para entrar em contato com a natureza e desfrutar de seus benefícios já comprovados, para a saúde e o bem-estar, não faltam. Entre eles, está a Reserva Natural Salto Morato (RNSM), situada em uma área reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
Inserida na Grande Reserva Mata Atlântica (GRMA) – região que abriga o maior remanescente contínuo do bioma no mundo –, a Reserva está localizada em Guaraqueçaba, litoral norte do Paraná, a 172 quilômetros de Curitiba.
Criada em 1994 pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, conta com uma área preservada de 2.253 hectares, que contribui para a conservação da Mata Atlântica, bioma em que vive mais de 70% da população brasileira.
Aberta à visitação durante todo o ano, atrai turistas e amantes do turismo ecológico de diversos estados e países, além de pesquisadores e observadores de aves. No local, já foram identificadas 370 espécies de aves, 29 tipos de répteis, 93 mamíferos, 44 anfíbios, 63 peixes e 646 vegetais vasculares.
Entre seus principais atrativos, a unidade de conservação apresenta o Salto Morato – uma cachoeira com mais de 100 metros de altura –; uma figueira centenária, que forma uma ponte-viva sobre o rio do Engenho; um aquário natural; trilhas; observação de aves; banho de rio; camping; e centro de visitantes.
Atrações para adultos e crianças
O acesso à cachoeira Salto Morato, que dá nome ao local, é possível por meio de uma trilha de 1.500 metros, classificada como leve, com duração aproximada de duas horas. Outra sugestão por terra é a Trilha da Figueira, que leva o visitante até uma árvore centenária que forma uma ponte-viva sobre o Rio do Engenho. O caminho de seis quilômetros em meio à floresta, classificado como de nível médio, é feito em cerca de três horas.
As crianças também têm uma opção de lazer e turismo ecológico na Reserva: a Trilha das Brincadeiras. Com percurso de aproximadamente 500 metros, a atração é repleta de experiências e atividades lúdicas que colocam a garotada em contato com a natureza. Nela, os pequenos passam por “desafios”, como a cabana de madeira, o túnel da cigarra e a perna de pau.
A Reserva Natural Salto Morato também possui estrutura de camping, com capacidade para até 12 barracas. O espaço oferece banheiros com chuveiros, água quente, churrasqueira e sistema wi-fi. Para acampar, é necessário fazer reserva com antecedência.
Outras opções de passeios na região
Nos últimos anos, os programas de apoio da Fundação Grupo Boticário na região da Grande Reserva Mata Atlântica selecionaram diversos negócios de impacto socioambiental positivo. Em Morretes, no Paraná, estão dois deles: a Porto de Cima, uma nanocervejaria artesanal que utiliza em suas receitas elementos da floresta, e a empresa Família Banamel, que desenvolveu o Banamel, doce similar a um melado de banana.
Além de degustar as cervejas, é possível conhecer a pequena fábrica da Porto de Cima. Já para provar o Banamel, basta visitar a Estação Agroflorestal Marumby (antiga sede da Família Banamel), que oferece ainda atividades como roteiro ecopedagógico e visita guiada.
“O incentivo a negócios capazes de gerar impacto socioambiental positivo, como por meio do ecoturismo, é um dos desafios estratégicos para fortalecer a região da Grande Reserva Mata Atlântica. Por meio de diversos programas de incentivo, buscamos promover uma convivência harmônica entre sociedade e meio ambiente, a fim de fortalecer esses negócios e trazer desenvolvimento econômico e social para os municípios”, fala Guilherme Karam, Gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário.
Estação Agroflorestal Marumby | Banamel
O Banamel é um doce similar a um melado de banana, original da cidade de Morretes. O produto é resultante da extração da frutose da banana, sendo este seu único ingrediente, além de água. O Banamel é natural e pode ser utilizado para adoçar receitas, drinques, frutas e granolas ou até mesmo para comer de colher. A receita foi criada, há 15 anos, pelo professor Joel Reded Alves, cientista autodidata e guardião de saberes. O resíduo do processo de produção pode ser utilizado ainda para incorporar produtos alimentares e de limpeza, reboco de bioconstrução, vinagre, ração animal e artesanato.
O processo de produção artesanal do Banamel e a sua distribuição local são realizados por diversas famílias, contribuindo para a geração de renda da agricultura familiar. A empresa Família Banamel foi uma das beneficiadas, em 2022, pelo Fundo Filantrópico da Fundação Grupo Boticário, que apoia o desenvolvimento de negócios de impacto socioambiental positivo na Grande Reserva Mata Atlântica.
A Estação Agroflorestal Marumby, antiga sede da Família Banamel, é uma das atuais produtoras do doce e cultiva as bananas utilizadas para a sua produção. Está situada dentro da antiga fazenda Marumby, em Morretes. O espaço possui uma parte histórica, onde localiza-se o primeiro casarão da fazenda, datado de 1914. Na área comunitária, estão as agroflorestas e demais estações permaculturais e ecológicas.
A Estação Marumby oferece um programa de educação agroflorestal para grupos diversos, como de estudantes, escoteiros, turistas e empresas. Além de roteiro ecopedagógico (que pode ser realizado em meio período ou integral), também disponibiliza ao público visita guiada e refeições (café da manhã ou da tarde, almoço e lanche, preparadas com alimentos 100% de origem vegetal e integral, sendo boa parte de orgânicos). No local, é possível comprar o Banamel, entre outros produtos. É preciso fazer agendamento prévio para participar das atividades e reserva para as refeições, via WhatsApp ou Instagram.
Porto de Cima
A nanocervejaria produz chopes e cervejas de forma artesanal, sem adição de conservantes químicos e carbonatados naturalmente. A cerveja não é filtrada, nem passa por processo de pasteurização, preservando assim suas características originais. É envasada de forma manual e sai do fermentador diretamente para o barril. A água utilizada na produção das bebidas é coletada na propriedade, dentro da Unidade de Conservação particular mantida pela cervejaria – a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Graciosa –, e chega até a fábrica por gravidade.
A Porto de Cima mantém a floresta protegida. Quase 40 hectares de Mata Atlântica circundam a pequena fábrica, que usa ingredientes de espécies nativas, divulga a fauna e a flora da região nos rótulos de seus produtos (atualmente, são quase 30 rótulos, também feitos de forma artesanal) e fomenta a economia local. Os diferentes estilos e a diversidade chamam a atenção para o bioma Mata Atlântica em suas receitas, que combinam elementos da floresta (como cereja do mato, jabuticaba, grumixama e fruto da juçara), resgatando sabores, e apoiando outros produtores (que fornecem ingredientes como maracujá, gengibre e mel, utilizados em algumas preparações).
As diversas opções de cervejas e chopes estão disponíveis para degustação na nanocervejaria, que também pode ser visitada, de forma gratuita. A iniciativa conquistou, em 2020, o terceiro lugar no Programa Natureza Empreendedora, iniciativa da Fundação Grupo Boticário.