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ARTIGO
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Por – André Lit, CEO da Healthy Place Brasil, especial para Neo Mondo
É interessante como um alerta pode criar uma tendência, tipo efeito borboleta. Há dez anos, um professor de Stanford, Jeffrey Pfeffer, comunicava ao mercado sua principal preocupação: a saúde da população norte-americana estava piorando, especialmente em relação às doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e respiratórias. Destacou que essas doenças acabavam continuamente e gradativamente sobrecarregando mais o sistema público de saúde e seu orçamento. E que a principal fonte dessas doenças estava associada ao trabalho.
Esta manifestação chamou a atenção do consultor John Ryan, que sentiu a necessidade de fazer algo. Viu que as conversas estavam sempre centradas em doenças ou com foco patogênico, uma cultura histórica da humanidade fortalecida pelo sistema e pela indústria, seja por necessidade ou por oportunidade de negócio.
Ryan passou a procurar uma referência e a encontrou com o pesquisador Aron Antonovsky, que estudou as pessoas que sobreviveram ao holocausto: tinham o foco na saúde e não na doença, criando o que hoje chamamos de abordagem salutogênica. Mas John ainda não estava satisfeito, precisava definir o que seria a saúde para uma organização.
Contou com o apoio do Trinity College de Dublin para identificar os principais fatores e subfatores a serem observados com esta visão salutogênica. Aplicou os resultados desta pesquisa em diferentes organizações, aperfeiçoou seus conceitos, métodos e conteúdo, buscando resultados consistentes e que permitissem ser aplicados no mundo corporativo.
Chegou ao que hoje é chamado de Ciência do Bem-estar nas organizações, que é suportada por quatro pilares. O primeiro é a Saúde Física, com o foco no nosso corpo, que nos conduz em todas as ações da nossa vida, conseguindo converter a nossa energia acumulada em descanso em ações concretas. A seguir vem a nossa mente, mas que, para ser um pilar de bem-estar, foi definido como Resiliência Mental, entendendo que nossa mente se fortalece quando cuidamos de alguns estressores específicos e nos desenvolvemos e aprendemos dentro e fora do nosso ambiente de trabalho.
O terceiro pilar é o Propósito, alinhando indivíduo e organização. O indivíduo precisa acreditar no que está fazendo e reconhecer que isso é bom tanto para ele como para outras pessoas, que suas atividades no trabalho colaboram para alcançar os resultados e propósito desejados na organização onde trabalha. O quarto pilar é a Conexão, essencial para nosso desenvolvimento como seres humanos e para as organizações inovarem e desempenharem suas atividades de forma produtiva.
Esses pilares são compostos por elementos, os tijolos de cada pilar para sustentar o bem-estar individual e organizacional. Chegou-se a 21 desses elementos distribuídos nos quatro pilares e em 66 afirmações, que são perguntadas aos colaboradores para darem a sua percepção sobre o seu bem-estar e da organização onde estão trabalhando.
Esta estrutura foi incluída em uma abordagem e tem sido aplicada em diferentes organizações em todo o mundo pela empresa Healthy Place, fundada por Ryan e já atuante no Brasil, que, em geral, envolve a alta administração da empresa para se conscientizar e definir o que deseja alcançar, o reconhecimento da situação atual, e a diferença entre ambos, gerando a força criativa para evoluir continuamente: os indivíduos com maior saúde e bem-estar, e a organização sendo mais saudável em seus diferentes indicadores, que envolvem clientes, produtividade, competitividade e inovação. Todo este esforço se baseia em indicadores: se você não mede, não gerencia.