Imagem: Freepik
Esforços ainda não são suficientes
Por – Rafael Vernini*
A energia é essencial para o crescimento econômico e social, abrangendo setores como saúde, bem-estar e segurança. Com o crescimento global da economia, a industrialização e o aumento populacional, a demanda por energia cresce cada vez mais, impulsionando a busca por maior uso de fontes renováveis nas matrizes energéticas, visando diversificação e seguridade.
Nesse contexto, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7, que visa aumentar a eficiência energética da economia, fortalecer a cooperação internacional para acesso a tecnologias limpas e promover investimentos em infraestrutura, com o objetivo de fornecer serviços energéticos modernos e sustentáveis.
Segundo um levantamento da Agência Internacional para as Energias Renováveis (IRENA), a capacidade global atingiu 473 gigawatts (GW) em 2023, representando um aumento de 54% em relação ao ano anterior.
No Brasil, mais de 40 GW estão instalados em usinas eólicas e solares, evidenciando, aproximadamente, 22% da matriz elétrica nacional. Inclusive, se considerarmos as usinas hidrelétricas e termelétricas de biomassa, essa participação sobe para mais de 84%, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
Atualmente, a indústria é impulsionada a adotar tecnologias limpas, a exemplo da eletrificação da frota de veículos e o uso de sistemas de armazenamento, principalmente diante dos substanciais investimentos realizados.
Não à toa, estima-se que as vendas de carros elétricos atinjam cerca de 17 milhões neste ano e as opções de armazenamento de energia funcionem em conjunto com o sistema elétrico, contribuindo para uma maior segurança energética, conforme pesquisa da Agência Internacional de Energia (IEA).
Atingir os objetivos da ODS 7 é essencial para a manutenção da saúde e do bem-estar da população, ao passo que auxiliará na proteção de riscos ambientais e sociais, a exemplo da poluição do ar.
Embora haja significativos avanços em elementos próprios da agenda, como o aumento da utilização de energias renováveis, o atual cenário não é positivo e, inclusive, indica que os esforços ainda não são suficientes.
Precisamos destacar que as empresas do setor energético possuem papel fundamental no avanço da ODS 7, afinal, iniciativas rotineiras do setor privado possibilitam a democratização do acesso à energia barata, confiável, sustentável e renovável, assim como estipula o objetivo de desenvolvimento.
Ações como a substituição gradativa do uso de energia fóssil por renovável nas atividades e operações das organizações incentivam o crescimento das redes de energia mais sustentáveis no ambiente empresarial. Lembrando que, ao investir em práticas e ferramentas em toda a cadeia de abastecimento, o empreendedor também sai ganhando, uma vez que há maior eficiência energética e, consequentemente, redução de custos.
Portanto, as discussões promissoras e de fronteira, como hidrogênio verde, mercado de crédito de carbono, eletromobilidade e armazenamento inteligente, serão cruciais para o acesso a produtos e soluções digitais que possibilitam a inclusão social e opções democráticas ,tanto para pessoas físicas como empresas, com o intuito de oferecer uma perspectiva customizada e sustentável para o cliente, em consonância com a ODS 7.
*Rafael Vernini é Coordenador de Middle Office e Inteligência de Mercado Grupo Safira, ecossistema de soluções em energia e inovação. Meteorologista com bacharelado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e mestrado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Vernini possui experiência na comercialização de energia elétrica no ambiente de contratação livre (ACL).
**As opiniões expressas no artigo não necessariamente expressam a posição de NEO MONDO.