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ARTIGO
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Por- Conrado Santos*, articulista de Neo Mondo
“O perfeito amor lança fora o temor.” — (1 João, 4:18)
A frase do evangelista parece muito clara e de fácil entendimento, mas será que realmente compreendemos o que é o perfeito amor? Em nosso artigo anterior: Por mais amor e menos dor…(link abaixo), foi possível trazer uma breve reflexão sobre os efeitos transformadores e essenciais para que nossas vidas fossem modificadas com a compreensão e aplicação do amor em todos os momentos. O assunto é tão importante e urgente, que hoje, decidi trazer uma outra provocação sobre o tema.
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Mas a pergunta fundamental que deve anteceder essa jornada de transformação é se realmente compreendemos o que é o amor. Ao nos aprofundarmos ainda mais no assunto, me deparei com uma obra de monumental importância para nós: trata-se do livro da autora americana Bell Hooks, Tudo sobre o Amor: Novas Perspectivas. É realmente uma daquelas leituras que nos mexe profundamente por dentro.
Em capítulos muito bem estruturados, nos deparamos com conceitos sobre o amor que, normalmente, não fomos ensinados a pensar. Aliás, fica muito claro que é a partir daí que tudo deveria ser repensado.
Nós achamos que o amor é um sentimento, algo que já nascemos com a capacidade de experimentar, e que, desde os primeiros passos de nossas vidas, vivemos em uma permuta constante desse sentimento. Mesmo que nossa infância tenha transcorrido em um lar funcional ou disfuncional, avançamos com esse “sentimento” chamado amor para a vida, e vamos construindo, de forma saudável ou doentia, nossas relações.
Com certeza, muitos de nós, mesmo sem refletir sobre o assunto, poderão passar a vida acreditando que sabem o que é o amor e que, ao longo de suas vidas, o praticaram e experimentaram algumas vezes. Contudo, ao mudarmos a própria conceituação do amor, a partir da proposta de tê-lo como centralidade de nossas vidas, sendo a base de tudo em todos os momentos, perceberemos que ainda temos muito a aprender.
Esse desconhecimento sobre o amor nos acompanha há milênios. Lembremos da frase de João Evangelista: “O perfeito amor lança fora o temor.” É exatamente para combater o desamor, que gera medo e controla a sociedade, que Hooks propõe uma mudança. Desde nossa infância, somos ensinados a ter suposições e definições equivocadas sobre o amor. A começar por sua conceituação, poucos de nós entendemos o amor como ação, como prática permanente e cotidiana em todas as esferas de nossas vidas, e isso muda tudo.
Nosso não-letramento sobre o amor é uma grande chaga. Se buscarmos um espaço de mudança e aprendizado, ainda que possamos achar tardio, certamente nos surpreenderemos com os resultados.
O livro propõe uma redefinição sobre o amor, pensá-lo com a clareza que nos esclarece todos os equívocos. Uma vez que o conceituamos de forma clara, será possível enxergá-lo em todas as suas dimensões.
De forma individual e coletiva, passamos nossas vidas procurando uma “bala de prata”, algo milagroso e extremamente poderoso que nos proporcionaria soluções mágicas e imediatas para vencermos nossas dores e problemas. Nos deixamos levar por promessas vazias, recheadas de conquistas efêmeras que, aos olhos do mundo, representam prosperidade e felicidade. Em um mundo hedonista e egoísta, procuramos atalhos escondidos que nos possibilitem desviar do sofrimento e da miséria humana para sermos felizes. O que importa, no fim do dia, é o que eu sinto e como os meus estão.
Nesse contexto, a sociedade do medo e do desamor prospera, e somos levados a construir muros cada vez mais altos para que o “desequilíbrio” lá de fora não nos atinja. Caminhamos para uma vida isolada, em uma bolha infeliz, sem conhecermos o verdadeiro amor, que, em última análise, em sua construção diária, nos proporcionaria também a vivência da felicidade que nos fosse possível experimentar.
É urgente que consideremos o amor em nossas vidas e em nossa sociedade como eixo central, como base das relações entre pessoas, comunidades e nações. Nossa ignorância sobre o amor tem nos levado a passos largos para a derrocada de nossa espécie. O convite feito por Bell Hooks é poderoso. Ao olharmos o amor sob novas perspectivas, será possível encontrar caminhos para vencermos problemas estruturais de nossa sociedade, como o racismo, as guerras, a miséria e muito mais.
Precisamos aprender de verdade o que é o amor. Em um trecho em que a autora faz uma ligação entre o amor e a espiritualidade, mostrando como as religiões sistematicamente têm falhado em ensinar e falar sobre o amor incondicional, ela diz: “Imagine como nossa vida seria diferente se todos os indivíduos que se dizem cristãos, ou que alegam ser religiosos, servissem de exemplo para todos, sendo amorosos.” Como seria nossa vida se realmente amássemos ao próximo como a nós mesmos, ao invés de sustentarmos o ódio e os preconceitos? Com certeza, viveríamos em um mundo onde o verdadeiro amor seria a força suprema a extirpar todo o mal e o medo que permeiam nossa sociedade.
É necessário parar, parar agora para aprender a amar, para reconstruir nossas relações, e só a partir disso, arregaçando nossas mangas com muito trabalho, mas felizes e comprometidos com o amor que compreendemos e desejamos sentir, construiremos um mundo feliz.
*Conrado Santos é um entusiasta na busca pela Espiritualidade na vida e nos negócios. Empresário, profissional de marketing e voluntário no Grupo Espírita Cairbar Schutel, Folha Espírita e AME-SP.