Centro foi constituído com o propósito de transformar desafios globais em oportunidades para a chamada inovação radical – Foto: Daniel Antônio/Agência FAPESP
POR – OSCAR LOPES*, PUBLISHER DE NEO MONDO
Lançado com o apoio da FAPESP, o CEPID Bridge aposta na colaboração entre setores para enfrentar os desafios globais da nossa era, como a crise climática, a desigualdade e a desindustrialização
Em um mundo atravessado por crises complexas e interconectadas, surge na Universidade de São Paulo (USP) uma iniciativa ousada: usar a força da ciência para criar pontes reais entre conhecimento, inovação e impacto social. Foi inaugurado nesta semana o CEPID Bridge – Gestão de Ecossistemas para Transições Sustentáveis, o primeiro Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão sediado na FEA-USP, com financiamento da FAPESP.
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O novo centro nasce com uma missão clara: transformar problemas estruturais da sociedade contemporânea em oportunidades para a inovação radical. Entre os focos prioritários, estão a emergência climática, a desigualdade social e a perda de dinamismo industrial. A proposta? Criar um espaço onde universidades, governos, empresas e organizações da sociedade civil possam atuar de forma integrada, cooperativa e orientada à ação.
“Nosso objetivo é construir pontes entre diferentes atores sociais. Só assim conseguiremos transformar o conhecimento científico em soluções reais, com impacto sistêmico e duradouro”, afirma o professor José Afonso Mazzon, coordenador do CEPID Bridge.
Ecossistemas como estratégia de transformação
Inspirado no equilíbrio dos ecossistemas naturais, o centro propõe um novo paradigma de gestão: trabalhar em rede, com interdependência e propósito comum, para desenvolver metodologias, tecnologias e modelos de governança capazes de regenerar o tecido social, econômico e ambiental.
O projeto tem raízes no grupo de pesquisa Bridge (acrônimo para Building Radical Innovation and Disruption for Global Ecosystems), fundado em 2019 pelos professores Leonardo Gomes e Felipe Borini. Desde o início, o foco esteve na criação de um ambiente fértil para a inovação radical — aquela que rompe com padrões estabelecidos e propõe novos caminhos.
“Assim como um ecossistema precisa de equilíbrio para prosperar, a sociedade também precisa de articulação, diversidade e colaboração para avançar”, resume Mazzon.
Inovação como resposta à urgência
Mais do que produzir conhecimento, o CEPID Bridge quer mobilizá-lo em prol de soluções concretas. A iniciativa prevê o desenvolvimento de plataformas digitais, manuais, programas de aceleração de startups, ferramentas educacionais e estratégias de transferência de tecnologia. Tudo isso orientado por uma visão sistêmica, inclusiva e transformadora.
“A inovação, neste caso, não é um fim em si mesma, mas um meio para promover justiça socioambiental, regeneração econômica e cultura de cooperação”, destaca Mazzon.
Colaboração que atravessa fronteiras
A atuação do CEPID Bridge transcende os limites da USP. O centro integra uma rede robusta de colaboração com instituições como Unicamp, FGV e FEI, além de parcerias internacionais com universidades de prestígio como Oxford, Cambridge, Sussex e Texas. Essa malha de conexões reforça o papel estratégico da ciência brasileira na articulação de soluções globais.
“Projetos como o Bridge reposicionam a universidade como protagonista na formulação de políticas públicas e na construção de um futuro mais justo e sustentável”, afirma o reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Jr.
Um novo horizonte para a ciência brasileira
Com a chancela da FAPESP, o Bridge se une a outros 24 CEPIDs em operação, sendo um dos poucos voltados à área das humanidades. Para o presidente da fundação, Marco Antonio Zago, essa característica amplia a potência do projeto:
“O Bridge é inovador não apenas em seus objetivos, mas na maneira como propõe alcançar resultados. Ele rompe fronteiras disciplinares, conecta ciência e sociedade e propõe novas formas de pensar e agir diante dos grandes desafios da humanidade.”
Um farol de esperança em tempos desafiadores
Em vez de muros, o CEPID Bridge propõe pontes. Em vez de soluções fragmentadas, aposta na integração de saberes. Em vez da manutenção do status quo, escolhe a disrupção criativa. Com uma visão ousada e colaborativa, o centro se consolida como um farol de inovação e impacto — um chamado à ação para todos que acreditam que um outro futuro é possível.
*Com informações de Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP.