Imagem produzida por IA – Foto: Divulgação
POR – OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Em encontro reservado, GSS e BV reúnem lideranças para debater como integrar riscos e dependências da biodiversidade nas decisões empresariais — e por que a TNFD é a chave para esse novo paradigma
A transição para uma economia regenerativa e resiliente não será possível enquanto a natureza for tratada como um recurso colateral — invisível nos relatórios, subestimada nas decisões e esquecida nas metas corporativas. Esta foi a premissa norteadora da roda de conversa estratégica promovida pela GSS e pelo banco BV, com a presença exclusiva de Alan Gomez, líder de engajamento da TNFD (Taskforce on Nature-related Financial Disclosures) para a América Latina.
Leia também: COP16: startup brasileira VBIO é destaque no maior encontro global sobre biodiversidade
Leia também: Em 50 anos, mundo perdeu 73% da biodiversidade na vida selvagem, aponta WWF
O encontro, cuidadosamente desenhado para apenas 20 lideranças-chave da sustentabilidade corporativa brasileira, reuniu um seleto grupo de representantes — um por setor econômico — para um diálogo franco, profundo e pragmático sobre como operacionalizar a Meta 15 do Marco Global da Biodiversidade (GBF) no contexto nacional.
Com abertura de Haidê Zaccarias (BV) e mediação de Francine Leal (GSS), a conversa se tornou um laboratório de ideias onde executivos de empresas como Klabin, CCR, Citrosuco, Ambev, Hypera Pharma e CNI discutiram como a TNFD pode se tornar o elo que faltava entre biodiversidade, risco financeiro e competitividade sustentável.
O portal NEO MONDO acompanhou com exclusividade o evento, que contou com a presença de seu CEO e publisher, Oscar Lopes, convidado a documentar e testemunhar esse momento emblemático da governança ambiental no país. Em um espaço de alto nível técnico e institucional, o NEO MONDO reforça sua missão de ser a ponte entre a transformação sustentável e a sociedade.
A natureza deixa de ser cenário — e passa a ser protagonista
A Meta 15 do GBF, firmada na COP15 da ONU, desafia governos e grandes empresas a medir, relatar e gerenciar seus impactos, riscos e dependências da biodiversidade. Não é só uma recomendação técnica: é uma mudança de lente sobre o que realmente sustenta a economia.
Nesse contexto, a TNFD desponta como a principal ferramenta internacional para tornar visível o que hoje ainda é tratado como intangível — desde a água que abastece uma planta industrial até a polinização que viabiliza cadeias inteiras da agricultura.
“A TNFD tem um papel central na evolução da governança ambiental e na valorização do capital natural nas estratégias empresariais. Discuti-la de forma setorial e aplicável é o que vai destravar essa agenda no Brasil”, defendeu Francine Leal, sócia-diretora da GSS.
Fragmentação de relatórios: o ruído da sustentabilidade
Entre os desafios mais citados pelas lideranças presentes está o excesso de exigências e formatos nos relatórios de sustentabilidade. A multiplicidade de frameworks leva à sobreposição de esforços, minando a eficiência e enfraquecendo a comparabilidade entre empresas e setores.
Nesse cenário, a TNFD oferece uma proposta objetiva e estruturante: criar um modelo de disclosure padronizado, com foco em riscos e oportunidades relacionadas à natureza, integrando essa dimensão ao centro das estratégias financeiras.
“Tratar a natureza como risco não é reduzir seu valor. É reconhecer sua centralidade no funcionamento da economia real”, observou um dos participantes.
Setores mobilizados, soluções conectadas
Com empresas como Klabin, CTG Brasil, Grupo Sabará, Beneficência Portuguesa, Reservas Votorantim e Citrosuco, o diálogo cobriu desde energia e infraestrutura até saúde, agronegócio e indústria. Cada participante compartilhou realidades distintas, mas uma conclusão unânime emergiu: sem natureza, não há continuidade de negócios — apenas riscos acumulados.
O formato enxuto e curado da roda de conversa permitiu uma troca qualificada, voltada à prática e à construção de caminhos setoriais para o avanço da TNFD no Brasil.
O papel dos bancos: investir no que permanece
A presença do BV, banco reconhecido por sua atuação em finanças sustentáveis e impacto positivo, reforça a crescente responsabilidade das instituições financeiras como agentes de transformação e catalisadores da agenda ESG.
“Criar espaços de diálogo como esse é essencial para acelerar a transição. Precisamos de uma governança financeira que reconheça a natureza como ativo estratégico — e não como externalidade”, afirmou Haidê Zaccarias, do BV.
Meta 15: mais que uma meta, um divisor de águas
A Meta 15 não pode ser tratada como um item burocrático. Ela representa uma virada de chave na forma como negócios, finanças e políticas públicas compreendem o valor da biodiversidade. É a entrada da natureza no centro das métricas de risco, nos fluxos de capital e na narrativa do sucesso empresarial.
E a TNFD, ao oferecer uma linguagem comum e um arcabouço técnico confiável, abre caminho para que empresas brasileiras se alinhem a padrões globais, ganhem transparência e reforcem sua competitividade em um mundo cada vez mais atento ao valor do que é natural — e finito.
Quando lideranças escutam a natureza, surgem novas estratégias
A iniciativa da GSS e do BV não foi apenas um evento — foi um sinal. Um indicativo de que o setor corporativo brasileiro está se movimentando com inteligência, visão e urgência para integrar a biodiversidade à lógica dos negócios.
Em tempos de múltiplas transições — ecológica, climática, social e econômica —, não há futuro resiliente sem natureza viva. E não há capital duradouro sem capital natural.
Sobre o BV
O BV é um dos maiores bancos do país e se destaca por sua atuação em finanças sustentáveis e impacto socioambiental positivo. A instituição vem liderando iniciativas para apoiar empresas na transição para uma economia mais verde e responsável.
Sobre a GSS
A GSS é uma consultoria especializada em sustentabilidade e estratégias ambientais, atuando no desenvolvimento de soluções inovadoras para o setor corporativo. Com forte presença em fóruns internacionais, a empresa contribui para a construção de políticas e diretrizes que integram conservação da biodiversidade, agenda climática e desenvolvimento sustentável.