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Escrito por Neo Mondo | 2 de março de 2021
Baia dos Porcos, Fernando de Noronha - Foto: PixabayEtanol versus veículos elétricos abastecidos por termoeletricidade Com o propósito de analisar o reflexo da adoção de 130 veículos elétricos na ilha, referentes às primeiras autorizações ecológicas concedidas, o estudo incluiu a comparação das emissões de CO2 de diversos combustíveis e energia elétrica. Atualmente, a ilha não utiliza etanol como combustível, por isso adotou-se o preço do etanol como sendo 70% do preço da gasolina, valor que oferece paridade de economia. Para os cálculos de eficiência (quilômetros rodados por litro), foram utilizados os carros mais vendidos no Brasil em 2019: Onix 1.0 como categoria geral e Corolla 1.8 como categoria Sedan. Para veículo elétrico, foi considerado o Zoe nos dois cenários: da atual geração, majoritariamente termelétrica, e no cenário de migração para energias limpas proposto pelo estudo. A comparação mostra que os veículos elétricos emitirão mais CO2 que modelos a combustão movidos a etanol. Os benefícios dos elétricos só se efetivarão com a transição da ilha para uma matriz energética limpa. O alto valor comercial dos veículos elétricos também foi questionado pela população, além da dificuldade de manutenção na ilha, já que ainda não há mão de obra especializada. De onde vêm os gases de efeito estufa em Fernando de Noronha De acordo com pesquisa realizada pela Secretaria de Meio Ambiente do Estado de Pernambuco, cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa em Fernando de Noronha provêm dos aviões, 30% da geração de energia elétrica e aproximadamente 9% dos veículos que circulam nos seus 17 km2 de extensão. Esses são os três focos de ações imediatas do Projeto Noronha Carbono Zero: atuar com as empresas aéreas para reduzir emissões de carbono dos voos por compensação, com plantio de árvores no continente; implementação mais rápida de veículos elétricos, criando facilidades para o morador; passar a usar energia eólica, solar, biocombustíveis e energia das ondas. As discussões do projeto Noronha Carbono Zero começaram em 2013, no evento "Pernambuco no Clima". Em novembro de 2016, foi aprovado o decreto de No 43.815 que instituiu o Comitê de Inovação e Incentivo à Economia de Baixo Carbono (CIIEBC). Entre ações realizadas, é possível ressaltar o Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e o Plano de Neutralização 2015–2018. O eixo dos veículos elétricos constitui o primeiro a efetivamente passar à prática, com a aprovação da Lei dos Veículos Elétricos (VE’s), em janeiro de 2020. Sobre Fernando de Noronha O Arquipélago de Fernando de Noronha é constituído por um conjunto de 21 ilhas e ilhotas, sendo apenas a principal habitada. Todo o território se encontra sob proteção total em forma de Unidades de Conservação, sendo 70% o Parque Nacional Marinho de Fernando de Noronha (Parnamar), e 30% Área de Proteção Ambiental (APA). Situa-se a 540 km de Recife (PE) e 380 km de Natal (RN), com uma extensão territorial de 26 km2, sendo 17km2 a ilha principal. A ilha integra o estado de Pernambuco desde a Constituição de 1988. De acordo com a Constituição Estadual, é “uma região geoeconômica, social e cultural instituída sob a forma de Distrito Estadual”, único dessa natureza no país. Em termos de gestão, há parte do território sob a jurisdição federal e parte sob a esfera estadual: quem administra o Parnamar é o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal que gere todas as 335 Unidades de Conservação no território brasileiro. Já́ a APA, compartilham sua gestão a Autarquia Territorial do Distrito Estadual de Fernando de Noronha (ATDEFN) – conhecida popularmente como Administração da Ilha - e o ICMBio. Desde 2001, a Unesco reconhece Fernando de Noronha como Patrimônio Natural da Humanidade.
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