Ciência e Tecnologia Destaques Economia e Negócios Emergência Climática Meio Ambiente Mobilidade Urbana Política Saúde Segurança
Escrito por Neo Mondo | 5 de junho de 2018
Nas últimas semanas, a paralisação dos caminhoneiros evidenciou nossa total dependência em relação aos combustíveis fósseis e às rodovias, e como ainda temos uma longa trajetória para reverter isso, pensando, por exemplo, em vincular novas concessões à expansão de ferrovias, ou adoção de combustíveis menos poluentes. A paralisação deixou ainda mais evidente a relação direta do diesel com as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEE): Informações de Qualidade do Ar da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) apontaram para a queda de 50% da poluição na capital paulista durante a greve. Diante dessa realidade, criar um mercado de carbono no Brasil é mais do que necessário, urgente.
O segundo ponto, que já vem sendo absorvido pelas grandes representantes do setor industrial, mas precisa ser multiplicado Brasil afora, é a urgência de maior atenção na captação de água, uso eficiente e, principalmente, adoção de técnicas de reúso. Os desperdícios contabilizados ao longo da história e a impressão de recursos fartos e inacabáveis, já não fazem parte do nosso cenário atual. Nossas preocupações sobre a real finitude da água são realidade inquestionável. Incluir no cálculo dos investimentos os riscos da escassez cada vez mais presente, e os custos para tratamento da água no processo industrial, bem como formas de reutilização, são processos já absorvidos por parte da indústria, ainda que o Brasil não tenha uma legislação nacional para regulamentar essa prática. Providenciar uma lei nesse sentido é outra de nossas urgências, tanto quanto promover um choque de saneamento básico no País. Já não é cabível trabalharmos com tecnologias de reúso do século XXI (que devem ser ampliadas), e em outra frente estarmos estacionados no século XIX, no que diz respeito ao tratamento dos nossos esgotos.
Na mesma linha, a terceira das nossas urgências é a nossa relação com a economia circular como um todo, e não somente em relação à água. O consumo consciente, o uso eficiente dos recursos naturais, a reciclagem possível de todos os materiais, a reutilização de produtos, seja nos processos industriais ou na vida individual, devem ditar as regras de um país que mira a sustentabilidade. Esse conceito já deveria ter deixado de ser urgente para ser presente e constante em nossa realidade. Temos visto em muitos casos a substituição da propriedade pelos serviços, como os carros por exemplo, que nos aponta ser uma tendência irreversível e a ser expandida para os mais diversos setores.
Essas três urgências fazem parte de documento mais amplo que o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) está preparando para levar aos presidenciáveis como pontos fundamentais a serem enxergados para preparar o País para um mundo sustentável. Um mundo que não é só de futuro, mas que se faz urgente no presente.
* Marina Grossi é presidente do CEBDS desde 2010, e agora em 2018 passou a integrar o steering committee da Carbon Price Leadership Coalition (CPLC), sendo a única representante brasileira integrante do conselho diretivo da coalizão do Banco Mundial voltada para a precificação de carbono.Semente de planta comum no Brasil mostra potencial para remoção de microplásticos da água
Bioinsumo à base de microalgas pode reduzir a dependência de fertilizantes agrícolas