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Escrito por Neo Mondo | 4 de outubro de 2018
Família Erig (Andrea, Douglas e Tales) produção consciente (foto: 1 Papo Reto)[/caption]
É na área quase contígua à casa simples, mas bastante aconchegante e que parece ter saído de um romance arcadista, do século XVIII, que eles garantem o sustento. Douglas, o patriarca, conta que o trabalho começa cedo: às 6h30, ele sai da cama e depois de um rápido café ele vai com o filho Tales e a mulher Andreia juntar a vacada espalhada no pasto. São 41 animais em fase de lactação que garantem uma produção de 30 mil litros por mês. “Hoje, somos um dos 10 maiores da região”, diz ele, com indisfarçável orgulho.
O jeito afável e o carinho com o qual realiza a atividade acabaram rendendo ao pequeno produtor rural um convite inusitado: Douglas é garoto-propaganda de uma das campanhas da Nestlé. “Se a gente quer um leite bom para nossa família tem de produzir com qualidade para todos”, diz. É neste ponto que entra um dos mais ambiciosos projetos da multinacional suíça, aqui no Brasil. Batizado de Boas Práticas na Fazenda, o programa reúne um arsenal de regras, normas e práticas produtivas que devem ser seguidas pelo agricultor. A contrapartida é o pagamento de um prêmio pela qualidade do produto. “Apenas nos últimos cinco anos nós investimos R$ 140 milhões em bonificações relacionadas ao programa”, conta Rodrigo Lopes, gerente de marketing de bebidas Nestlé. Nesta bolada estão computados os gastos com o melhoramento genético do rebanho, por meio da transferência de embriões e de doses de sêmen.
Mas para produzir um leite tão bom quando o vendido no exigente mercado europeu, a subsidiária foi além do trato do plantel dos parceiros. Para isso, lançou o programa Melhores Práticas Ambientais que aos poucos vai recebendo a adesão dos pecuaristas. Em linhas gerais, o projeto exige que eles instalem sistemas de captação de água da chuva que depois de passar pelo aquecedor solar é usada no processo de higienização dos materiais de ordenha e limpeza do local. Os dejetos produzidos pela vacada também são tratados para se converter em adubo para as culturas existentes na propriedade.
Além da família Erig o clã Schneider, cuja fazenda de 58 hectares está situada no povoado de Posse Serrito, também na pequena, porém charmosa Victor Graeff, aderiu ao novo programa da Nestlé. João Schneider toca a propriedade em parceria com os irmãos Eunício e Rogério; além do sobrinho Bruno, estudante de agronomia. Faz dois anos que eles se integraram à relação de fornecedores da multinacional suíça. Neste período, o sistema de produção de leite sofreu uma guinada de 180 graus.
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Eunício (de boné) e João apostam na diversificação (foto: 1 Papo Reto)[/caption]
“Já vínhamos executando melhorias desde 2010, mas acabamos intensificando as ações para viabilizar o aumento da produção”, explica Eunício, responsável pela ordenha mecânica. Uma dessas providências foi a construção de um novo galpão, em local mais elevado, e mais distante da nascente de água da propriedade, onde produzem soja. Outra fonte de renda são os 300 pés de nogueiras-pecã, cuja noz é bastante valorizada no mercado. “Apesar de recebermos um bom valor pelo leite, é importante diversificar os negócios”, destaca João, enquanto ajeita a aba de seu indefectível chapéu no estilo Indiana Jones.
Apesar do grande número de pessoas na área do galpão, as vacas estavam tranquilas. Também pudera, após passarem pelo setor de ordenha mecânica elas podiam se acomodar em baias onde era servido um lauto banquete, em coxos individuais. “É a recompensa delas pela alta produtividade”, brinca Eunício.
Área de descanso na Fazenda dos irmãos Schneider (foto: 1 Papo Reto)[/caption] ONU 80, Pacto Global 25: o início de um novo ciclo para a sustentabilidade global
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