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BYD emplaca 23.465 veículos e bate seu recorde no Brasil no mês em que a tarifa de importação chegou ao teto

Escrito por Neo Mondo | 3 de agosto de 2026

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BYD: Dolphin GS assume a liderança de vendas no varejo - Foto: Divulgação/BYD

POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DO NEO MONDO

No dia 1º de julho, a alíquota de importação sobre carros elétricos e híbridos montados fora do país subiu para 35%, o ponto final de um calendário que o governo desenhou em 2023 justamente para conter a entrada das montadoras chinesas. Trinta e um dias depois, a BYD fechou o melhor mês da sua história no Brasil: 23.465 veículos emplacados, 2.211 a mais que o recorde anterior, de junho. A tarifa cheia entrou em vigor e a curva de vendas da marca continuou subindo.

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O número de julho representa alta de 142,4% sobre o mesmo mês de 2025, quando a empresa comercializou 9.680 unidades. A participação de mercado saltou de 4,3% para 9,1% em um ano, dobrando de tamanho, e manteve a BYD na quarta posição do ranking geral de montadoras, atrás apenas de Volkswagen, Fiat e General Motors. Desde fevereiro, a marca lidera de forma ininterrupta as vendas no varejo, aquelas feitas nas concessionárias diretamente para pessoas físicas. Julho foi o sexto mês seguido nessa ponta.

A explicação de por que a tarifa não mordeu o conjunto está na Bahia. O Dolphin Mini, que sustenta o maior volume da BYD no varejo, sai de Camaçari, sob a lógica de nacionalização progressiva que a empresa vem construindo desde que inaugurou o complexo baiano, em outubro de 2025. O Dolphin GS, líder do varejo em julho, ainda chega importado. A alíquota de 35% atinge em cheio quem traz o carro pronto do exterior, e a aposta da BYD é reduzir essa exposição transferindo etapas de produção para o país. O complexo de Camaçari, erguido sobre a antiga planta que a Ford abandonou, já monta o Dolphin Mini, o sedã King e o SUV Song Pro, e a meta declarada é chegar a 2027 com metade dos componentes fabricados no Brasil.

O protagonista de julho tem nome e carga simbólica. O Dolphin GS assumiu pela primeira vez a liderança do varejo, com 5.861 unidades emplacadas para o consumidor final. Somados todos os canais, o modelo chegou a 6.492 unidades no mês. "O Dolphin foi um divisor de águas para a BYD e mudou verdadeiramente a história do mercado brasileiro. Me recordo que encerramos o mês de maio de 2023, o último mês antes do lançamento oficial do Dolphin, com apenas 390 carros vendidos no País", afirmou Alexandre Baldy, vice-presidente sênior da BYD do Brasil e head de Marketing e Comercial da BYD Auto. Pouco mais de três anos separam aquele lote de 390 unidades da liderança de vendas para pessoas físicas.

A liderança do GS teve empurrão comercial, uma campanha promocional no último fim de semana de julho que baixou o preço do modelo. A troca de posição no varejo, onde o GS passou à frente do Dolphin Mini, líder nos quatro meses anteriores, diz menos sobre fraqueza de um modelo e mais sobre a profundidade que o portfólio da marca ganhou. É o Mini que segue como o carro elétrico mais vendido do país no acumulado do ano, com 42.933 unidades. Hoje a BYD disputa o topo do varejo brasileiro com carros seus concorrendo entre si.

O dado que Baldy classifica como o mais relevante do mês não é a liderança isolada de um modelo, e sim a presença simultânea de três BYD entre os dez veículos mais vendidos do mercado geral, somadas vendas diretas e varejo. O Dolphin Mini terminou julho na sexta posição, com 7.265 unidades. A família Song ficou em oitavo, com 6.834, liderando o segmento de SUVs médios e somando 38.356 no ano. O Dolphin GS fechou o top 10 na nona colocação. "A presença simultânea de três modelos no top 10 do mercado geral demonstra que a BYD vem ampliando a sua relevância muito além do segmento de eletrificados", disse o executivo.

No território onde a marca sempre reinou, o domínio ficou ainda mais nítido. Entre os veículos 100% elétricos, a BYD registrou 14.760 emplacamentos em julho, quase 60% de todo o segmento. Seis em cada dez carros elétricos vendidos no Brasil no mês eram da marca. Esse volume ajudou a mover o programa federal Move Brasil, que oferece crédito para taxistas e motoristas de aplicativo trocarem de carro por modelos de baixa emissão, com o Dolphin e o Dolphin Mini entre os elegíveis.

Baldy credita o ritmo a três fatores: a aceitação das tecnologias da marca, a rede que chegou a 228 concessionárias e os aportes em Camaçari. "Os recordes são resultado de um trabalho contínuo de produção local, distribuição eficiente e relacionamento sólido com o consumidor", afirmou. O pano de fundo é um mercado brasileiro que vive seu melhor momento de adoção de eletrificados, com quase um em cada cinco carros novos carregando algum grau de eletrificação. A tarifa de 35% chegou para testar quem industrializou e quem só importou. A BYD está dos dois lados dessa linha, com o Mini nacional puxando o volume e o GS ainda vindo de fora, e mesmo assim fechou julho em recorde. O balanço é a primeira resposta, e ela veio antes de a nacionalização estar completa.

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