POR – BURSON-MARSTELLER
Arena Good Homes – oferecida pela EDP
O desafio de engajar famílias de classe média na reciclagem doméstica foi discutido na arena Good Homes, oferecida pela SC Johnson, A Family Company.
Para Álvaro Almeida, coordenador do #SB17SP, “tudo o que fizemos até agora, como humanidade, nos trouxe a um presente (e nos leva a um futuro) que não é sustentável. Precisamos criar novas formas de atividade produtiva para ter uma nova perspectiva, uma melhor definição do que é a vida boa para todos nós. A inovação será obrigatoriamente a mola propulsora de um futuro mais sustentável. Nesse sentido, a inovação pode ocorrer nos arranjos sociais, na tecnologia, na educação do consumidor e, claro, em pesquisa e desenvolvimento”.
Kelly Semrau, da SC Johnson, concordou: “Todos os dias tentamos inovar. Temos objetivos globais ligados a questões de meio ambiente. Portanto, todos na empresa estão sempre em contato com a cadeia de suprimentos para garantir melhores práticas”.
Já Guilherme Brammer, da Boomera, explicou que antes, as empresas chegavam para conversar e tudo era custo, velocidade de máquina e aparência do produto na gôndola. Agora a questão do reaproveitamento e da reciclagem é muito presente. “Nós já fizemos, com empresas, um trabalho de levar os diretores para conversar com o pessoal da reciclagem e ver o que funciona e o que não funciona (e muita coisa não funciona para as cooperativas de catadores).”
“Quando o processo de reciclagem de garrafas PET começou, visitamos uma fábrica de reciclagem da Coca-Cola em Toluca, no México, e a discussão era se os consumidores aceitariam o produto na garrafa reciclada. Isso já passou, faz tempo. Hoje, o desafio é trabalhar o design preocupado com as questões ambientais, o design que leva em conta as necessidades da reciclagem – tudo desde o início da linha de criação do produto”, relembrou André Vilhena, da CempreBrasil.
Arena Good Finance – oferecida pela Bemtevi Investimentos Sociais
Com o tema “Novas formas de sucesso, além do ganho financeiro”, a Bemtevi Investimentos Sociais trouxe Ricardo Mastroti para debater o papel das finanças na redefinição do que é uma vida boa e mostrar que é preciso também repensar o conceito de sucesso, que não pode se basear apenas em dinheiro.”
Graziella Comini, do Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor, afirmou que o investimento com viés social “é um vírus que precisamos espalhar para que mais gente se contagie e tenha vontade de viabilizar essa grande transformação”. Segundo ela, “muitas empresas, quando começam, têm como principal preocupação garantir a sobrevivência econômica. À medida em que a organização se consolida, é possível definir novas prioridades e atuar de forma mais positiva”.
Já Geraldo Setter, do Insper Metricis (núcleo de medição para investimentos de impacto socioambiental), explicou que todos os projetos passam por fases. “Ao longo do tempo, a própria teoria da mudança vai mudando porque o empreendedor vai ajustando seu foco. Quando se fala em projeto social, muitos imaginam só as pequenas ações, mas há iniciativas que fazem muito sucesso e se tornam essenciais ferramentas estatísticas para demonstrar aos investidores que elas estão cumprindo seu papel de transformar a sociedade.”
A importância da transformação individual das pessoas para gerar, consequentemente, a transformação das organizações, foi destacada por Bianca Beltrami, da Ação Social para Igualdade das Diferenças (ASID). “A ideia do colaborativo, de todos agindo em conjunto, é o que faz a diferença”. Ela também destacou a necessidade de haver diferentes formas de avaliar o sucesso de um projeto, o que inclui os aspectos financeiros, mas também impactos intangíveis.
Por fim, Gerfried Gaulhofer, empreendedor ligado à Pano Social (que tem como slogan a frase “a etiqueta socioambiental”) comparou os investimentos com a comida. “Na minha opinião, deveríamos parar de chamar os alimentos de orgânicos, pois esses são os normais. Os outros é que deveriam ser rotulados com os venenos usados em sua produção. O mesmo vale para os investimentos. Em vez de falar dos aspectos positivos de um investimento social, a sociedade deveria destacar os aspectos negativos dos chamados investimentos convencionais.”
Arena Good Activism – Oferecida pelo Greenpeace
Chris Miller, da Ben & Jerry’s, abriu a arena Good Activism, oferecida pelo Greeenpeace: “nossas campanhas partem dos nossos valores e das mudanças que queremos ver no mundo”.
Miller explicou que enquanto o marketing tradicional busca criar lealdade e aumentar o brand equity partindo de grandes questões que afetam uma determinada comunidade e criar campanhas que atendam às expectativas das pessoas, A Ben & Jerry’s se baseia nas questões em que acreditam, seus valores e as mudanças que querem atingir, para só então desenhar as campanhas.
“Queremos motivar as pessoas a mudar o mundo. Você pode discordar das nossas opiniões, mas elas são muito claras em questões como aquecimento global, justiça racial ou igualdade de casamento. Fazemos isso desde o início e acreditamos que criar essa conexão com os consumidores e aumentar o amor que as pessoas têm pela nossa marca é um caminho muito poderoso para evitar que elas comprem outros sorvetes, mesmo quando eles estão na promoção”.
Em seguida, Kim Moraes, do marketing da Skol, contou como a marca passou a ser reconhecida por suas campanhas em defesa da diversidade e contra o preconceito. “Quando a Skol surgiu, havia duas grandes cervejas no País, que batiam na tecla da força e do poder: a Brahma era a número 1 e Antarctica, a paixão nacional. Ou seja, eram slogans que enalteciam o fato de serem grandes empresas, com penetração nacional”.
Assim, a Skol precisou criar um posicionamento diferente: a cerveja leve, a cerveja que desce redondo. “Isso trouxe uma nova perspectiva, um espírito contestador. E desde o início a marca se posicionou como inovadora, que questiona e quebra padrões e, principalmente, tem um espírito jovem”.
Moraes explicou ainda que conhecer a fundo as expectativas dos jovens é fundamental. “E cada vez mais esse público quer um mundo com menos muros, menos barreiras, menos rótulos, mais liberdade e mais espaço para contestação. E nossas campanhas refletem isso, mostram sempre que Skol é para todos”.
Arena Good Packaging – Oferecimento Danone e Boomera
Thais Fagury, presidente da AbreAço, falou da importância da reciclagem de aço para as cooperativas. O aço é o material mais reciclado do mundo e é crucial no processo de logística reversa das empresas. Segundo ela, 1 tonelada de aço reciclado, resulta em 1 tonelada de novo aço, sem perder suas características, sendo matéria prima nos processos siderúrgicos.
A presidente da ABRE (Associação Brasileira de Embalagens), Gisele Schulzinger, comentou que vivemos em uma nova economia, com novos modelos e negócios colaborativos. Devemos pensar em novos produtos e serviços a fim de comunicar nosso público. “Não devemos pensar na embalagem como sendo uma questão técnica, mas como um meio de comunicar as pessoas”.
Já Fernanda Saturni, da Natura, explicou que a empresa tem como objetivo reutilizar materiais do processo de reciclagem. “Em 2017, a Natura tem como propósito utilizar 70% de material reciclado para a produção de novos materiais. Em 2016, atingimos a meta de 51% e temos esse novo desafio para 2017.”
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