Produção de soja na fazenda Bartira – Foto: Divulgação RTRS
POR – REDAÇÃO CENÁRIO AGRO, PARA COALIZÃO VERDE (1 PAPO RETO, CENÁRIO AGRO, NEO MONDO e THE GREENEST POST)
Transação com grãos produzidos pelo padrão certificado pela Associação Internacional de Soja Responsável é realizada com empresas escandinávias, informa a entidade
Em dezembro de 2018, foi concretizada a primeira venda de créditos RTRS não-OGM ao mercado escandinavo. Os créditos RTRS não-OGM são resultado de um novo modelo de certificação, lançado em 2018, que permite apoiar a produção de soja não-OGM certificada RTRS por meio do sistema de créditos, mas sem obter essa soja fisicamente.
A primeira transação foi realizada pela Fazendas Bartira – que opera e investe em ativos agropecuários há mais de 30 anos no Brasil – para as empresas escandinavas Skånemejerier AB, empresa de laticínios do sul da Suécia, e Unil AS – uma subsidiária integral da NorgesGruppen AS, líder de mercado nos setores de conveniência, varejo e serviços de alimentação na Noruega. As duas empresas escandinavas adquiriram um total de 1.280 créditos do Brasil, com o apoio da ACT Commodities. Isto é um passo importante para o aumento da produção responsável de soja não-OGM e um sinal positivo de demanda crescente.
“Estamos orgulhosos e felizes por assumir esse compromisso que reforçará o foco na produção não-OGM e apoiará os agricultores que produzem de acordo com os princípios e critérios da RTRS na região do Cerrado brasileiro”, afirma em nota Anna Frey-Wulff, Gerente de Sustentabilidade Corporativa da Skånemejerier.
A transação é festejada pela Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS) como um sinal positivo de demanda crescente para o produto certificado. Para a entidade, os produtores RTRS não-OGM do Cerrado brasileiro receberam o primeiro apoio para continuar a produção responsável de soja – ou seja, feita de forma ambiental, social e economicamente sustentável – não-OGM.
Soja certificada RTRS não-OGM – Foto: Divulgação RTRS
“A Unil está muito orgulhosa de estar entre os primeiros compradores de Créditos RTRS não-OGM. Considerando o forte enfoque não-OGM da Noruega, bem como a política de desmatamento da Unil, tem sido um passo natural para nós apoiarmos e promovermos um mercado responsável pela agricultura não-OGM de soja na área vulnerável do Cerrado do Brasil. Estamos muito felizes que a RTRS agora possa fornecer isso”, observa Julie Haugli Aarnæs, Gerente de Sustentabilidade da Unil AS.
“Continuamente aprimoramos nossas práticas agrícolas aos mais altos padrões de eficiência operacional e produção responsável. Estamos felizes com o reconhecimento e incentivo as nossas iniciativas e pioneirismo”, conclui Luiz Iaquinta, Diretor de Qualidade e Segurança, Saúde e Meio Ambiente (SSMA) das Fazendas Bartira.
Soja certificada RTRS não-OGM
O módulo da RTRS referente à soja não-OGM segregada já existe desde 2011 e a Associação Internacional de Soja Responsável, que reúne produtores, indústria, comércio finanças e sociedade civil em diversos países, continuará a apoiá-lo para quem quiser obter soja não-OGM por meio de cadeias de suprimento com segregação física.
Para obter créditos RTRS não-OGM, os produtores precisam cumprir a legislação local, os Princípios e Critérios da RTRS (cumprimento legal e boas práticas empresariais; condições de trabalho responsáveis, relações comunitárias responsáveis; responsabilidade ambiental e práticas agrícolas adequadas) e todos os requisitos de produção não-OGM na propriedade rural, que inclui checar o status de produto na época da colheita em cada parcela não-OGM das fazendas. Este novo modelo permite apoiar a produção de soja não-OGM certificada RTRS por meio do sistema de créditos, mas sem obter essa soja fisicamente.
*com informações da Associação Internacional de Soja Responsável (RTRS).