Rubens Ricupero – Foto: Divulgação
POR – MARIANA CAMPOS (GREENPEACE) / NEO MONDO
“Nossa imagem hoje é a de pior vilão ambiental do planeta”
Segunda parte da entrevista com o ex-ministro trata das ameaças de retirada de investimentos e os prejuízos econômicos que o Brasil pode sofrer se seguir com a destruição ambiental
Rubens Ricupero é daquelas pessoas com quem poderíamos passar uma tarde inteira conversando, tamanha sua facilidade em costurar e transitar por assuntos ligados às agendas socioambiental e econômica, o que facilita a compreensão dos mais leigos.
Nesta segunda parte da entrevista em vídeo que fizemos com o ex-ministro de Meio Ambiente e da Fazenda, no fim de junho, tratamos das ameaças de retirada de investimentos e os sérios prejuízos econômicos que o Brasil pode sofrer em consequência da forma como o governo federal tem lidado com o meio ambiente.
Veja a primeira parte da entrevista com Rubens Ricupero aqui, que avalia a política ambiental do governo Bolsonaro.
As críticas aos retrocessos contra a floresta e seus povos ultrapassaram as fronteiras do país, já no ano passado, quando o número recorde de queimadas na Amazônia colocou o Brasil sob os holofotes do mundo. Recentemente, porém, investidores, governantes e mercados lá fora intensificaram suas manifestações contra o desmantelamento da política ambiental brasileira.
Um dos eventos recentes foi o que chamamos de “fuga dos trilhões”, em que um grupo de investidores internacionais, que administram mais de US$ 3 trilhões, pressionaram o governo federal pela redução do desmatamento na Amazônia. O risco vai além: empresas brasileiras podem perder acesso a mais de US$ 20 trilhões das carteiras de fundos de investimento com preocupações ambientais, sociais e de governança.
Acordos comerciais que o próprio governo considera importantes também estão na corda bamba. É o caso do tratado entre o Mercosul e a União Europeia, cuja negociação levou 20 anos e finalmente estaria pronto para ratificação. Ricupero avalia que esse acordo vai ficar em banho-maria: “Não será aprovado enquanto não houver uma mudança na política ambiental brasileira”.
Confira a segunda parte da entrevista com Rubens Ricupero, que aborda também a ameaça de boicote a produtos brasileiros pela União Europeia e a falta de um real comprometimento do empresariado brasileiro com a proteção das florestas e do clima.