A Accor disponibilizará recursos financeiros ao Projeto Acolhe, provenientes do seu fundo de emergência Heartist Fund, dedicado a iniciativas de solidariedade às vítimas do novo coronavírus – Foto: Divulgação
POR – APPROACH COMUNICAÇÃO / NEO MONDO
A iniciativa, que pode ser integrada por qualquer organização que atue na causa, prevê destinar recursos para organizações que atuem por meio de múltiplas assistências, como atendimento às necessidades materiais, psicológicas e jurídicas das vítimas, considerando as urgências geradas pela pandemia
A intensidade com a qual a violência contra mulheres e meninas tem se agravado desde o início da adoção das medidas de isolamento tem desafiado governos, empresas e sociedade civil a acelerarem a implementação de ações que consigam fortalecer a rede de proteção à mulher e construir um legado sustentável para o momento pós-confinamento. O aumento de 22% no número de feminicídios nos meses de março e abril de 2020, em comparação com o mesmo período do ano anterior, confirma a tendência de crescimento da violência doméstica e familiar durante a quarentena para frear a propagação da Covid-19 no Brasil. Além disso, as projeções apontam que serviços públicos para mulheres em situação de violência doméstica, como abrigos de proteção, começarão a entrar em crise já a partir do segundo semestre de 2020.
Diante deste cenário, o Instituto Avon e a Accor, com o apoio do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS), lançam nesta segunda-feira (20), o Fundo de Investimento Social Privado pelo Fim das Violências Contra as Mulheres e Meninas. O objetivo é mitigar o impacto dessa epidemia silenciosa sobre a vida das mulheres neste momento emergencial da crise, prover meios de reinseri-las profissionalmente e aprimorar a execução dos serviços públicos de abrigamento e proteção em 2021.
O Fundo, que tem como meta captar R$ 10 milhões em sua primeira fase, destinará recursos para até 30 organizações que atuam por meio de múltiplas assistências em atendimento às necessidades materiais, psicológicas e jurídicas. O Instituto Avon e a Accor são os primeiros investidores e atuarão na captação de outros, ao passo que o IDIS será responsável pela gestão dos recursos e monitoramento das iniciativas apoiadas. A expectativa é que o repasse seja feito a partir de julho.
Um dos objetivos da iniciativa é contribuir para a integridade física e emocional das mulheres e seus filhos. Neste sentido, um dos pilares do Fundo será a hospedagem das vítimas de violência nos hotéis da Accor por meio do Projeto Acolhe, que oferecerá cerca de 4 mil diárias em 295 hotéis localizados em 133 municípios, beneficiando milhares de mulheres. A Accor irá disponibilizar recursos financeiros ao Projeto Acolhe, provenientes do seu fundo de emergência Heartist Fund, dedicado a iniciativas de solidariedade às vítimas do novo coronavírus. Aliada com medidas de segurança física e sanitização, o objetivo é prover hospitalidade, conforto e acolhimento às mulheres desde o momento do check-in.
Foto – Pixabay
“Com o Projeto Acolhe, a Accor dá mais um passo nessa luta, desta vez em parceria com o Instituto Avon, abrindo seus hotéis para acolher mulheres em situação de violência doméstica e seus filhos. O acolhimento vai além da hospedagem e alimentação, oferecendo também equipamentos e cursos voltados à autoestima, educação financeira, inteligência emocional e oportunidades de trabalho no segmento turístico e hoteleiro. Eles serão proporcionados pela Accor Académie, universidade corporativa da Accor, que fornecerá acesso à sua plataforma de ensino”, explica Magda Kiehl, vice-presidente sênior de Jurídico, Riscos e Compliance Accor América do Sul e líder do Riise – Programa Mundial de Diversidade de Gênero da Accor.
Além da assistência social por meio do acolhimento e abrigamento de mulheres, crianças e adolescentes em situação de violência, o escopo do fundo inclui o apoio na segurança alimentar com a doação de cestas básicas em parceria com o Instituto GPA, reaparelhamento da estrutura dos abrigos e apoio a organizações de suporte psicológico e jurídico. Os recursos também se destinarão a projetos de reinserção das sobreviventes da violência na vida ativa profissional, com cursos profissionalizantes e encaminhamento ao mercado de trabalho. O Fundo contempla ainda iniciativas de advocacy para aprimorar e garantir a manutenção de serviços essenciais de proteção, acolhimento e cuidado das vítimas.
“O enfrentamento à violência contra mulheres e meninas requer esforços multissetoriais e ações integradas. Assim, o papel da iniciativa privada é fundamental para mitigar de maneira rápida e efetiva as consequências de uma epidemia silenciosa e complexa que cresce de maneira alarmante com iniciativas que contemplem todas as assistências da rede de proteção, em especial os abrigos que garantem a integridade física das sobreviventes”, acrescenta Daniela Grelin, diretora executiva do Instituto Avon.
As Instituições, Secretarias e Coordenadorias Municipais que quiserem se beneficiar desta iniciativa devem entrar em contato com o Instituto Avon por meio do e-mail instituto@avon.com para firmar um termo de cooperação.
Já as mulheres em situação de violência devem acessar o site do Mapa do Acolhimento (https://www.servicospublicos.mapadoacolhimento.org/) para encontrar os serviços públicos de proteção disponíveis para abrigamento que podem ser hotéis, casas-abrigo ou casas de passagem.