Umbuzeiro – Foto: Divulgação
POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Em Pintadas, no interior da Bahia, um grupo de mulheres está ganhando dinheiro plantando árvores e explorando o potencial econômico dos frutos nativos da Caatinga
A iniciativa, que rompe o paradigma local de desmatamento para criação de pastagem, é mais um exemplo das oportunidades econômicas oferecidas por práticas de restauração florestal de norte a sul do Brasil – e que estão sendo retratada pela série As Caras da Restauração, do WRI Brasil. No episódio que será lançado no site do instituto na próxima quarta-feira, 28 de outubro, Silvany Lima conta como sua opção de manter as árvores nativas de umbu em sua propriedade agora permite que ela venda os frutos para uma fábrica de polpa da cooperativa Adapta Sertão, formada por 200 mulheres, elevando sua renda – Episódio 3: A sertaneja que colhe dinheiro das árvores.
A cooperativa de Pintadas também foi responsável por mostrar o valor do umbu, que costumava ser destinado apenas à alimentação dos porcos e hoje, processado como suco e doce, é consumido na merenda escolar e comercializado na região. E de valorizar o trabalho da mulher do campo, que na maioria das vezes executa serviços não remunerados nas propriedades de seus maridos ou pais. A iniciativa não substitui as atividades tradicionais, mas acrescenta uma fonte complementar de renda ao aproveitar frutas existentes e que não tinham aproveitamento comercial.
As histórias não só de Silvany, mas também da família Soares, de Bruno Mariani, Patrick Assumpção e do casal Emerson e Viviane ajudam a ilustrar como os diferentes níveis de governo, o setor privado e os tomadores de decisão dentro do setor agrícola podem se engajar nesse movimento. “São histórias e rostos que humanizam uma agenda de reconstrução de nossa economia e contribuem para o compromisso do Brasil de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas e áreas degradadas até 2030”, afirma Miguel Calmon, diretor de Florestas do WRI Brasil. “Essa meta só pode ser alcançada por meio de uma diversidade de soluções, projetos, escalas e características locais – e é exatamente isso que estamos mostrando: os rostos e as histórias de quem está fazendo, bem como os caminhos possíveis”, destaca.
Para o WRI Brasil, a restauração florestal deve ser reconhecida como uma oportunidade com potencial de geração de benefícios econômicos, sociais e ambientais. A recuperação de milhares de hectares de terras hoje degradadas pelo plantio de espécies arbóreas nativas de valor econômico e pela utilização de sistemas agroflorestais, cria empregos e boa produtividade nas comunidades agrícolas, além de contribuir para a segurança alimentar e hídrica.
Os episódios da série Caras da Restauração estão sendo divulgadas semanalmente pelo WRI Brasil, antecipando a Década da Restauração, que a Assembleia Geral das Nações Unidas declarou para o período entre 2021 a 2030. Os episódios mostram diferentes realidades – da Amazônia ao Vale do Paraíba, passando pela Bahia e pelo Espírito Santo.