Falta de chuvas ameaçam reservatórios de água da Região Metropolitana de São Paulo – Foto: Represa Billings, Rovena Rosa/Agência Brasil
POR – JORNAL DA USP / NEO MONDO
Pedro Luiz Côrtes revela que a crise hídrica é motivo de preocupação devido ao La Niña, fenômeno natural que piora a distribuição de chuvas no sul do país
Com um outono mais seco que o normal, cresce a preocupação com os reservatórios de água que abastecem a região metropolitana de São Paulo: Cantareira, Alto Tietê e Guarapiranga. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) apontam que até o dia 28 de abril, o acumulado de chuva na cidade era 33% menor que o previsto para o mês de abril.
O professor Pedro Luiz Côrtes, da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, informa em entrevista ao Jornal da USP no Ar 1ª Edição que a situação é ainda mais delicada no sistema Cantareira, o qual está com menor nível desde 2016: “Nós estamos hoje com o sistema operando em 44,1% do seu volume. O ideal é que no início do outono ele estivesse com pelo menos 60%, já que, durante a estiagem, o seu nível pode baixar até 30%”.
A situação do Cantareira está assim desde o fim da crise hídrica de anos anteriores e vem sofrendo com mudanças climáticas, como a redução significativa das chuvas denominadas de rios voadores. “A umidade que sai do Atlântico Equatorial passa pela Amazônia, é reciclada e depois se distribui para as regiões central e sul do Brasil”, explica Côrtes sobre a formação dos rios voadores. Para o professor, nós já estamos enfrentando uma nova crise hídrica desde o final do ano passado e essa está se transformando em uma crise de abastecimento.
Côrtes revela que a conjuntura não deve melhorar no próximo semestre devido ao fenômeno La Niña, o qual provoca uma má distribuição de chuvas na região Sul do Brasil, além de períodos de estiagem mais severos. A tendência é que o fenômeno permaneça até o final do ano e repercuta no clima de São Paulo.
“Temos que acompanhar e informar as pessoas, para que elas tenham consciência de que a situação não é favorável, não é tranquila. O sistema Cantareira continua sendo nosso principal ponto de abastecimento”, afirma o professor.