Imagem – Pixabay
ARTIGO
Os artigos e informes publicitários não representam necessariamente a posição de NEO MONDO e são de total responsabilidade de seus autores. Proibido reproduzir o conteúdo sem prévia autorização
POR – MÁRCIO JAPPE*, PARA NEO MONDO
A saúde mental vem ganhando manchetes. Quadros de ansiedade, depressão e burnout vêm crescendo ao longo das últimas décadas, recentemente potencializados pelas medidas de contenção da pandemia. No esporte de alto rendimento, o tema também ganha cada vez mais espaço – não somente para a melhoria dos resultados esportivos – mas com um olhar humano para o atleta. Ainda que o cenário pareça muito ruim, há que se celebrar a importância de se debater o problema como um passo importante para começar a resolvê-lo.
Já há múltiplas soluções sendo desenvolvidas e testadas no universo da inovação e do impacto. Sem dúvidas, a inovação é uma ferramenta poderosa para geração de prosperidade e bem-estar. Ironicamente, a saúde mental das pessoas empreendedoras e inovadoras parece estar sendo cada vez mais negativamente afetada.
Expectativas irreais são um ponto de partida. Vende-se uma ideia de que empreender é só sobre glamour e reconhecimento, aplausos e prêmios no lugar de clientes, vendas e impacto. A mitologia do universo da inovação e impacto tem muito mais histórias (e estórias) extremas sendo contadas, seja de sucesso e superação ou de fracasso retumbante, mas há pouco espaço para aqueles 99% que não rendem enredos tão empolgantes.
De um tempo para cá, parece que tudo é sobre unicórnios de 1 bilhão de dólares ou melhorar a vida de 1 bilhão de pessoas de uma só vez, fazendo parecer que todo o resto vale menos. A cereja do bolo são as universidades respeitadas vendendo cursos com chamadas “12 semanas para aprender como fundar o próximo unicórnio”. Frustração em massa, pressão gigantesca, desconexão da realidade e buscas desconectadas de perspectivas independentes, conectadas a valores pessoais e intencionalidade genuína. Pode até dar certo para alguns, mas não para a maioria. Trabalho com real significado e conexão verdadeira com valores pessoais fazem diferença.
Destas expectativas irreais vem a solidão de se empreender, mesmo quando há um time de fundadores. As longas horas de trabalho e a desconexão com o mundo lá fora. A falta de reconhecimento e respeito quando se está no meio do caminho. Pra desandar de vez, é só adicionar pitadas de traumas passados e uma tonelada de incertezas e ambiguidade em relação a um futuro seguro ou pelo menos esperançoso.
Ansiedade, depressão e uma onda de “burnoutados” é uma realidade no empreendedorismo inovador e de impacto. Como sempre que se fala em inovação, há muita incerteza envolvida, mas há boas hipóteses a serem testadas para melhorar a saúde mental das pessoas empreendedoras. Encontro de conexão de pessoas empreendedoras com menos palcos e mais conversas com café, mais foco em trazer mais significado para as empresas como um todo e para os trabalhos individuais em específico, incentivos ao autocuidado e reflexão pessoal, mais encontros para reforço de conexões de grupos e desinflar egos. Será que conseguimos agir nesta direção?
*Márcio Jappe é sócio-fundador da Semente Negócios, mestre em inovação, tecnologia e sustentabilidade pela UFRGS.