Imagem – Pixabay
POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Vegetação nativa no entorno de rios e nascentes reduz a turbidez da água, diminuindo a necessidade de produtos químicos no abastecimento de água. Estudo calculou impacto positivo dessa infraestrutura natural
A infraestrutura natural para a água – o manejo, conservação e restauração de florestas em áreas prioritárias para o abastecimento de água – já está resultando em economia para o tratamento e abastecimento de água na Região Metropolitana de Campinas, e pode trazer ainda mais benefícios econômicos, segundo estudo divulgado pelo ICLEI América do Sul, com apoio do WRI Brasil.
O estudo integra o projeto INTERACT-Bio, que busca melhorar o uso e a gestão da natureza nas cidades. O trabalho mostra que 78 mil hectares de florestas e vegetação nativa conservadas no entorno dos corpos hídricos da região filtram a água e evitam a erosão e o aporte de sedimentos. Se essas florestas forem desmatadas, além de outros possíveis impactos ambientais, as empresas de saneamento da região passarão a gastar R$ 6,6 milhões a mais por ano em produtos químicos, dragagens e operações de tratamento de água.
Além disso, a restauração de áreas já degradadas na bacia traria um benefício adicional para o tratamento de água. Recuperar 14 mil hectares degradados resultaria em uma economia adicional de R$ 1,7 milhão por ano. Em outras palavras, a conservação e restauração das florestas pode resultar em uma economia de até R$ 8,3 milhões por ano.
O estudo também mostra que já há áreas em que a restauração pode começar imediatamente a partir da coordenação e sinergia de diferentes planos e políticas públicas. “Envolver e coordenar iniciativas de restauração já existentes em outros planos é crucial para acelerar a implementação de ações de infraestrutura natural na região”, diz Rodrigo Perpétuo, secretário-executivo do ICLEI.
Rodrigo ressalta que há, por exemplo, 130 hectares de áreas prioritárias para a restauração que coincidem com as priorizadas pelo Plano de Ação para Implementação da Área de Conectividade na Região Metropolitana de Campinas. “A Área de Conectividade elaborada por 20 municípios da região, com apoio do ICLEI, se apresenta como uma zona estratégica para promover iniciativas de conservação da biodiversidade, manutenção de processos ecológicos, oferta de serviços ecossistêmicos e recuperação da paisagem”, afirma.
Florestas para melhorar a segurança hídrica
O estudo parte do conceito de infraestrutura natural: investimentos e intervenções em conservação, manejo e restauração da vegetação nativa e de florestas. A ideia é considerar as florestas no planejamento de obras e ações para a segurança hídrica em conjunto com a infraestrutura tradicional.
Esse olhar integrado permite aos tomadores de decisão e gestores das empresas de saneamento melhorar a segurança hídrica. “A região metropolitana de Campinas tem enfrentado aumento das temperaturas e diminuição da disponibilidade de água nos últimos 35 anos, por conta do aumento da demanda da população e impacto das mudanças do clima”, diz Mariana Oliveira, gerente de Florestas, Uso da Terra e Agricultura do WRI Brasil. “A infraestrutura natural, aliada a ações de infraestrutura tradicional, pode contribuir para evitar ou diminuir danos de crises hídricas na região.”
Outros estudos na região Sudeste
Este é o quarto estudo sobre os benefícios econômicos da infraestrutura natural para água em grandes regiões metropolitanas da região Sudeste do Brasil. Também foram feitas análises para o Sistema Cantareira, que abastece São Paulo, e para os sistemas de abastecimento que atendem as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro e de Vitória. Em todos os casos, os números mostram que as empresas de abastecimento, os governos e a sociedade como um todo reduzem custos e geram economias a partir da restauração de florestas nos entornos de rios e reservatórios.