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ARTIGO
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POR – ANDREAS VON SALIS*, PARA NEO MONDO
Estar atento às questões de sustentabilidade é mais do que uma necessidade em qualquer setor da indústria atualmente: é uma obrigação. Especialmente quando se trata da construção civil, que, no passado recente, foi considerada responsável por consumir 75% dos recursos naturais do planeta, segundo uma pesquisa realizada pela Fecomercio (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo).
A grande aposta do mercado atual está na adoção do ESG (termo em inglês para as boas práticas de governança ambiental, social e corporativa), que engloba muitos fatores além da redução dos impactos ambientais. Mas há ainda uma certa resistência do setor de construção civil brasileira, que insiste em manter o ESG como pauta acessória.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a indústria da construção teve um crescimento de 2,7% no segundo trimestre de 2022, superando o dobro da média do país, que ficou na casa de 1,2%, em comparação aos primeiros três meses de 2022.
Esse crescimento alavancou também o número de novas vagas com carteira assinada. No primeiro semestre deste ano, 184.503 novos empregos foram criados, conforme dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho. O número total de trabalhadores na área ultrapassou os 2,5 milhões neste ano. Entre julho de 2020 e julho de 2022 a Construção Civil já contabilizou a geração de quase 600 mil novas vagas, conforme relatório do Senai e da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria e da Construção).
Em uma via de mão dupla, se a preocupação com o ESG é um fator para o crescimento, o aumento do setor também implica em uma maior necessidade de instruir os trabalhadores a adotar práticas sustentáveis, pois a preocupação com o meio ambiente gera uma credibilidade junto aos clientes que, cada vez mais, se sentem responsáveis pelo local onde vivem.
Não por acaso, pesquisa da CECP (Chief Executives for Corporate Purpose) mostra que sete em cada dez corporações avaliam o desempenho e a remuneração de seus profissionais com métricas baseadas no conceito da ESG.
Segundo dados da consultoria NINT (Natural Intelligence), o volume de operações com rótulo sustentável emitidas no país quase triplicou entre 2020 e 2021. Subiram de R$ 29,3 bilhões para R$ 86,1 bilhões.
Investir em ESG não se restringe apenas em reduzir os impactos ambientais a longo prazo. Também impactará na diminuição de riscos, já que as obras acontecem de acordo com as leis vigentes, reduzindo multas e processos legais. A adoção de regras e critérios bem determinados permite que a empresa oriente bem suas ações, operando de forma eficiente.
O consumo consciente também garante economia ao projeto, já que o uso dos recursos será menor. Tudo isso, no final, garantirá mais credibilidade, mais lucro e, consequentemente, mais interesse de investidores.
E é aqui que se destaca a madeira na construção civil. Mercados como os Estados Unidos, Japão e Europa deixam claro que a madeira voltou para ficar: é uma das grandes tendências da construção civil desta década. Quando fruto de florestas plantadas e legais, a madeira devolve mais à natureza do que lhe tira. E, em contraposição ao cimento, um bem finito e muito mais agressivo ao meio ambiente, oferece ainda vantagens como rapidez, limpeza e custo-benefício nas obras.
Com a crescente preocupação no sentido de que obras e reformas precisam incorporar a preocupação com a sustentabilidade e que esse cenário será revertido em benefícios sociais e financeiros, é essencial adequar as empresas à demanda de um mercado que cada vez mais exige respeito ao meio ambiente, às pessoas e à sociedade. Passou da hora de a construção civil brasileira realmente encampar o ESG como alicerce de seus projetos.
Andreas Von Salis é diretor superintendente da Montana Química, multinacional brasileira do segmento de tratamento de madeira.