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POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Como ex-líder da Global Water Initiative da Coca-Cola, Dan Vermeer conhece bem os benefícios do plástico para uma empresa — por exemplo, mantém os alimentos higiênicos, é facilmente transportado com menos peso e é muito flexível. “O plástico resolveu todos os tipos de problemas para nós, mas, à medida que escala, torna-se um problema perverso”, diz Vermeer.
Atualmente, como diretor executivo do Centro de Energia, Desenvolvimento e Meio Ambiente Global (EDGE) da Fuqua, escola de negócios da Duke University, Vermeer estuda os muitos riscos que a mudança climática representa para o mundo dos negócios e as estratégias que as empresas podem incorporar para combater problemas difíceis de solucionar, como o excesso de plástico no mundo.
Em conjunto com vários coautores da Nicholas School of the Environment, da Duke University, Vermeer publicou um artigo na revista One Earth que examinava os compromissos corporativos para reduzir a poluição plástica. Entre 1950 e 2017, escrevem os autores, a produção global de plástico aumentou 174 vezes e deve dobrar novamente até 2040. Cerca de 79% dos resíduos plásticos gerados por essa produção acabam em aterros sanitários ou no meio ambiente. Apenas 9% são reciclados e apenas um décimo dessa quantidade chegou a ser reciclado mais de uma vez nos últimos 50 anos.
Como parte da análise, os pesquisadores revisaram os relatórios anuais de quase 1.000 das maiores empresas do mundo e descobriram, por exemplo, que 72% das 300 maiores da lista Fortune Global 500 fizeram algum tipo de compromisso voluntário para reduzir a poluição plástica.
Entretanto, embora o número de promessas ambientais tenha aumentado muito nos últimos cinco anos, a maioria das empresas evitou atacar a raiz do problema — ou seja, o uso excessivo de plástico em primeiro lugar, diz Vermeer. Grande parte dos plásticos não é reciclável ou é muito difícil de reciclar, mas as ações corporativas se concentraram principalmente na reciclagem, observa.
“A reciclagem não resolve o problema central, que é cada vez mais plásticos no meio ambiente”, acrescenta Vermeer. “É como tentar pegar todo o lixo que sai no esgoto, em vez de dizer: ‘Bem, por que há cada vez mais plástico em primeiro lugar.’”
Vermeer diz que ficou surpreso com a alta porcentagem de empresas que se comprometeram a resolver o problema, mas isso se deve em grande parte à pressão pública para fazê-lo. “Não sou cínico sobre ações corporativas, apenas acho que você precisa entender as razões para isso, e nunca é altruísmo”, pondera Vermeer. “Dentro da empresa, eles dirão: Por que faríamos isso? Isso vai aumentar nossos lucros? Isso vai reduzir nossos custos? Isso vai reduzir nossos riscos? Isso vai nos ajudar a evitar a regulamentação ou não ter que pagar tanto se houver regulamentação? Isso nos colocará em uma posição melhor em termos de reputação com reguladores, clientes ou comunidades? Nossos consumidores nos darão algum benefício por fazer essas coisas? Todos esses são elementos entram em uma decisão.”
O que é necessário, segundo ele, é que as empresas repensem o ciclo do produto do começo ao fim, com o objetivo de reutilizar os mesmos materiais em vez de um uso único que acaba em um aterro sanitário. “Não basta ter programas de reciclagem; precisamos imaginar fluxos fundamentalmente diferentes de novos tipos de materiais para atender às necessidades das pessoas.”
Daniel Vermeer é fundador e diretor-executivo do Centro de Energia, Desenvolvimento e Meio Ambiente Global (EDGE) da Duke University, iniciativa que utiliza o poder dos negócios para atender à demanda global por energia, recursos e melhor qualidade de vida.
Vermeer ingressou na Duke vindo da The Coca-Cola Company, onde liderou a Global Water Initiative, um esforço para proteger a qualidade e a disponibilidade do principal ingrediente da empresa. Como parte desse trabalho, ele projetou uma nova metodologia de gerenciamento de risco para avaliar as instalações de fabricação globais da Coca-Cola e fundou o programa Community Water Partnerships, que resultou em quase 500 parcerias público-privadas em mais de 90 países.