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POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Embora tenha diretrizes e leis, Brasil está longe de alcançar as metas idealizadas
O Brasil deseja extinguir os lixões até 2024 e, para manejar adequadamente os resíduos sólidos, políticas e planos de ação foram implementados. Porém, o projeto, alinhado ao 11º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU de criar cidades mais sustentáveis reduzindo o impacto ambiental do lixo, está distante da realidade e mais da metade das cidades do país ainda praticam o descarte irregular, como lixões a céu aberto – segundo o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU). Porém, tanto população quanto empresas estão mais conscientes do impacto e procurando fazer sua parte para um futuro mais limpo.
Na Motocana, empresa de movimentação de carga pesada, incluindo resíduos, sucatas e entulhos de construção, a procura por maquinários para lidar melhor com o lixo tem crescido: “Há vinte, quinze anos atrás, o manejo e o descarte adequado de resíduos não era uma prioridade. Hoje, já vemos empresas com ações de reciclagem sérias, com impacto social real”, conta o gerente geral da Motocana, Renato Campos.
Mesmo com o crescimento de empresas alinhadas às práticas ESG, o número de materiais recicláveis processados no Brasil ainda é baixíssimo, segundo International Solid Waste Association (ISWA): 4%. Em países economicamente semelhantes, como Chile e África do Sul, a taxa é de 16% e em nações desenvolvidas, como Alemanha, chega a 67%. O Plano Nacional de Resíduos Sólidos (Planares), que completou um ano em abril, apresenta soluções para aumentar o volume de resíduos descartados corretamente através de diretrizes e estratégias para viabilizar a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), instituída em 2010.
A PNRS estabeleceu responsabilidades e objetivos para a gestão do lixo nos municípios brasileiros, inclusive o propósito de eliminar todos os lixões do país até 2024. Segundo o Panorama 2022 da Abrelpe, 61% do lixo no Brasil têm destinação, sendo os indicadores no Sudeste e Sul superiores à média nacional (74,3% e 71,6% respectivamente). Nas outras regiões, especialmente Nordeste e Norte, no entanto, a utilização descontrolada de lixões e aterros a céu aberto persiste. Em três capitais – Cuiabá, Porto Velho e Boa Vista – ainda existe a prática irregular.
Segundo o especialista em bem-estar e facilitador FIB (Felicidade Interna Bruta), Rodrigo de Aquino, felicidade é sinônimo de progresso e desenvolvimento sustentável. Quem desejar criar negócios prósperos hoje e um mundo viável para as próximas gerações, precisa pensar na preservação do meio ambiente e sua íntima relação com saúde mental e bem viver. “Além de reciclar plásticos, papéis e metais, precisamos reciclar nossa relação com as pessoas, com os rios, florestas e oceanos, nosso consumo e descarte. ESG é sobre bem-estar e sobre condições que para que todo ecossistema viva dignamente”
Objetivos não faltam. O Planares prevê a reciclagem de 20% de todo o seu resíduo sólido seco do Brasil. Atualmente, 2,2% apenas é reciclado. O plano ainda contempla o aumento da reciclagem dos entulhos da construção civil para 25%. Embora seja ousado, Renato acredita que, com os investimentos e incentivos corretos, pode ser possível. “Precisamos de programas de educação ambiental permanentes e bem estruturados para a população, é claro, mas também aperfeiçoamento no sistema de limpeza e infraestrutura dos municípios. Temos tecnologia e pessoas capacitadas, falta os meios e a organização necessárias”, finaliza o gerente geral.