As secas na Amazônia não devem ser analisadas de forma isolada- Foto: Cecília Bastos/USP Imagens
Por – Bárbara Bigas, Jornal da USP / Neo Mondo
Um estudo realizado por pesquisadores da Unicamp, da Universidade de Leeds e outras instituições da América do Sul e da Europa aponta que árvores do sul da Amazônia estão se tornando mais propensas a morrer devido à seca. A pesquisa coletou amostras na porção centro-leste da Amazônia, próximas de Manaus e do Pará, no sul, na região do Mato Grosso, e no oeste, incluindo partes do Acre, Peru e da Bolívia.
Originalmente, a região sul da floresta pode sofrer mais com a seca, pois divide margens com biomas como o Cerrado e também com fronteiras agrícolas. Além disso, nessa porção, as árvores são mais resistentes a períodos secos devido à produção de biomassa, impulsionada pelo crescimento em solos pouco férteis. No estudo, o sul da Amazônia também foi a região em que os autores encontraram a maior capacidade de adaptação climática das árvores.
No entanto, apesar de uma resistência prévia ao clima seco, o desmatamento intensivo e efeitos do aquecimento global contribuem para a vulnerabilidade da área.
Origem da seca
As secas na Amazônia não devem ser analisadas de forma isolada, visto que grandes secas vêm acontecendo desde o início dos anos 2000. Esse fenômeno dos anos de 2005, 2010 e 2020, por exemplo, decorreram do aquecimento do Oceano Atlântico ao norte do Equador, impulsionado pelas mudanças do aquecimento global, e que induziram secas na região amazônica por consequência.
Carlos Nobre, cientista ambiental e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, explica como isso ocorreu. “É um fenômeno associado com a diminuição da intensidade da circulação termohalina do Oceano Atlântico, que está ficando mais fraca devido a um fenômeno de derretimento de geleiras da Groenlândia. Essa água doce, caindo lá no norte do Atlântico, é mais leve, não afunda e transporta menos calor do Equador para o Atlântico norte.”
Chegando à Amazônia, a seca intensificada, quando somada ao desmatamento da região, desregula o oferecimento de chuvas e prolonga a estação seca. “Em todo o sul da Amazônia, nós temos mais de 35% de áreas desmatadas e degradadas. Durante a estação seca, a Amazônia recicla muita água, cerca de 4,5 mm de água por dia. São 4,5 litros de água por metro quadrado de floresta. Já na pastagem muito degradada, ela recicla no máximo 1,5 mm. Com isso, há menos vapor de água na atmosfera, menos chuva durante a estação seca”, acrescenta.
Carbono
Um dos objetivos das florestas tropicais é recolher carbono da atmosfera. No sul da Amazônia, se observou que as árvores submetidas a estresse hídrico, sentido nos períodos com menor oferta de água, emitem mais carbono do que o absorvem. Quando as secas são mais duradouras e frequentes, esse comportamento também se torna recorrente. “O sul da Amazônia se tornou fonte de carbono, não mais um sumidouro de carbono, como são a maior parte das florestas tropicais do planeta, que removem um terço de todas as emissões de gás carbônico das atividades humanas”, comenta Nobre.
Carlos Nobre, cientista ambiental e pesquisador sênior do Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP, explica como isso ocorreu. “É um fenômeno associado com a diminuição da intensidade da circulação termohalina do Oceano Atlântico, que está ficando mais fraca devido a um fenômeno de derretimento de geleiras da Groenlândia. Essa água doce, caindo lá no norte do Atlântico, é mais leve, não afunda e transporta menos calor do Equador para o Atlântico norte.”
Chegando à Amazônia, a seca intensificada, quando somada ao desmatamento da região, desregula o oferecimento de chuvas e prolonga a estação seca. “Em todo o sul da Amazônia, nós temos mais de 35% de áreas desmatadas e degradadas. Durante a estação seca, a Amazônia recicla muita água, cerca de 4,5 mm de água por dia. São 4,5 litros de água por metro quadrado de floresta. Já na pastagem muito degradada, ela recicla no máximo 1,5 mm. Com isso, há menos vapor de água na atmosfera, menos chuva durante a estação seca”, acrescenta.