Imagem da campanha do Greenpeace Brasil em comemoração aos 70 anos da Petrobrás – Foto: Greenpeace Brasil
POR – REDAÇÃO NEO MONDO
Ao completar 70 anos, estatal tem a oportunidade de se reinventar e priorizar investimentos por uma matriz energética descarbonizada e sustentável
Nesta terça-feira (3), data que marca os 70 anos de criação da Petrobras, o Greenpeace Brasil lança campanha que convida a estatal a atuar em prol de uma efetiva transição energética justa e a se tornar uma empresa de energia 100% renovável. A iniciativa aposta na relevância estratégica da estatal para o país e capacidade técnica para liderar a mudança que pode reposicionar o país como liderança econômica e energética global, apostando no aproveitamento de recursos naturais renováveis e no fim gradual da produção de combustíveis fósseis, diretamente responsáveis pela crise climática.
Ao longo do mês, o Greenpeace Brasil vai atuar para debater com a sociedade a respeito do papel que a Petrobras pode assumir diante de um contexto climático que aponta os limites de um modelo econômico dependente da produção e queima de combustíveis fósseis – um dos principais responsáveis pela emergência climática e o aumento de graves eventos extremos no Brasil e no mundo.
“Enquanto a crise climática impõe limitações ambientais e econômicas para a expansão de novas fronteiras de exploração de petróleo, ela traz uma necessidade à qual o Brasil tem o potencial de assumir um protagonismo que nunca teve na geopolítica global. Temos em abundância os recursos energéticos limpos e renováveis que ditarão os rumos da economia global a partir desse século, e uma estatal com a capacidade comprovada de operar com excelência técnica. Afirmar a soberania da Petrobras, e do próprio país, e mirar um futuro virtuoso para ambos, passa por pensar a sua transformação e não perder o bonde da história. Isso significa reavaliar seu modelo de negócios, redirecionar investimentos e promover a transição do portfólio de projetos da empresa priorizando fontes renováveis, de forma gradual e responsável que garanta a manutenção e promoção de postos de trabalho”, afirma Marcelo Laterman, porta-voz do Greenpeace Brasil.
O desenvolvimento do Brasil pode se beneficiar de uma matriz energética renovável e mais eficiente, com economia circular, com o melhor aproveitamento dos recursos naturais e a potencialização das economias e atividades sustentáveis nos territórios. Tal mudança pode ser liderada por uma Petrobras forte e visionária, que possui condições técnicas e orçamentárias para colocar o Brasil em uma posição de destaque na economia internacional, desenvolvendo tecnologias de baixo carbono e descontinuando (phase out), progressivamente, a produção de combustíveis fósseis.
“Ser protagonista de uma transição energética efetiva e investir em um modelo de desenvolvimento que respeite os limites da natureza significa honrar a responsabilidade de uma estatal desse porte e fortalecer a soberania do país. Uma escolha em nome de um futuro perene para a população brasileira”, comenta Marcelo.
É fundamental proteger a Amazônia da exploração petrolífera
A Amazônia tem uma sociobiodiversidade riquíssima, tanto quanto os recursos energéticos renováveis, mas cerca de 1 milhão de pessoas da região seguem sem o direito ao acesso de energia garantido. É possível e necessário desenvolver um modelo virtuoso, que garanta os direitos e bem-estar da população de todo o bioma. E esse futuro vai no sentido oposto ao de uma economia dependente do petróleo.
Neste contexto, a aposta no avanço de fronteiras de exploração de petróleo em áreas sensíveis, como o caso da bacia da Foz do Amazonas, significa – para a Petrobras e o Brasil – andar para trás. Tanto em termos de oportunidade perdida, em assumir o protagonismo em defesa do clima e da Amazônia, quanto do ponto de vista econômico, já que, segundo a Agência Internacional de Energia, há inclusive uma perspectiva de encolhimento da demanda por petróleo até o fim desta década.
“Os mais de R$ 1 bilhão gastos pela Petrobras para as fases anteriores à exploração na Bacia da Foz do Amazonas, por exemplo, poderiam ter transformado o contexto energético, econômico e socioambiental da região se direcionados a energias renováveis para as comunidades e cadeias produtivas locais, catalisando soluções para a redução das desigualdades na Amazônia e preservação do bioma.”, afirma Marcelo Laterman.
Ao longo das próximas semanas, o Greenpeace Brasil publicará conteúdos relacionados à campanha em suas redes sociais.