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ARTIGO
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Por – Rodrigo de Aquino*, especial para Neo Mondo
O movimento da Psicologia Positiva teve início em 1998 e, desde então, associou-se à “ciência da felicidade”, ganhando o smile como símbolo e conquistando espaço em prateleiras, sites, apoiadores e desafetos. Chris Peterson, um dos precursores, a definiu como um “campo de pesquisa que estuda o que torna a vida digna de ser vivida”, enquanto Martin Seligman, reconhecido como seu criador, a redefiniu como um campo de estudos sobre o Florescimento Humano.
Nesses 25 anos, os cientistas seguiram suas pesquisas sobre o impacto dos sentimentos positivos e negativos no bem-estar humano, analisando como grupos, organizações, culturas e sistemas podem preservar sua dignidade e potencializar seu florescimento.
Isso é nitidamente observado nos estudos alinhados à terceira onda da Psicologia Positiva, voltados para a complexidade que compõem o bem-estar pessoal e social. Ou seja, a felicidade é um sentimento pessoal e subjetivo, composta por camadas bio-psico-social-ecológicas, isto é, por condições individuais, sociais e políticas.
Em tempos de enormes desafios e mudanças, as ações virtuosas associadas à Humanidade, Justiça, Coragem, Moderação e Transcendência nos fazem enxergar o mundo com uma perspectiva mais ampla, entendendo como indivíduos, grupos culturais e étnicos são fundamentais para a perenidade do planeta, com desdobramentos para nossa visão ambiental e ecológica.
Os centros urbanos são um bom exemplo de coletividade. Uma cidade mais verde oferece melhor qualidade do ar, ajuda na redução da poluição sonora e visual, reduz a temperatura, auxilia no equilíbrio e na conservação do ambiente, aumenta a presença de animais silvestres e, como nossa afinidade com a natureza é genética e profundamente enraizada na evolução, tudo isso apoia a melhoria e a manutenção da saúde física e mental do cidadão.
Comportamentos mais gentis, amorosos e com conexões transcendentais geram espaços mais acolhedores, seguros e com condições para apreciação da natureza, o belo e ao ambiente natural e de origem. Como consequência, surgem pólos de felicidade que vão gerar impactos positivos em regiões vizinhas, criando uma rede sustentável de bem-estar.
Nesse pequeno exemplo, vemos como toda a sociedade é corresponsável pelo desenvolvimento da felicidade, do bem-estar e da saúde mental. Vemos como é importante migrarmos da unidade para o senso de comunidade, do consumo desregrado e do extrativismo para um capitalismo mais consciente e regenerativo, formando uma economia mais justa, sábia e corajosa, migrando do “egossistema” para um ecossistema, onde todos se sintam respeitados e pertencentes.
A Universidade de Harvard, há 85 anos, conduz o mais longo estudo científico sobre a felicidade da história. Coordenado pelo professor Robert Waldinger, o estudo conclui, sem muitas surpresas, que as pessoas que vivem relacionamentos baseados em afetos autênticos são mais felizes e permanecem fisicamente mais saudáveis à medida que envelhecem.Essa premissa me faz lembrar dos 5 Ps que compõem o Desenvolvimento Sustentável criado pela ONU: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias falam de conexões de vida em sociedade e são a fonte da Felicidade Autêntica, dando contornos para a criação de um capitalismo de stakeholders, formado por relações éticas e virtuosas entre governos e empresas privadas, órgãos públicos, e sociedade civil, entidades locais e internacionais, fornecedores e clientes, etc. Uma nação que estimula a dignidade e habilidades como esperança e resiliências, diminui o estresse, a ansiedade e potencializa o capital psicológico positivo deste grupo através da ampliação do senso de pertencimento e de cidadania, estados interiores importantes para a felicidade e longevidade, como apontam os estudos de Waldinger.
O mundo pede mais que ideias e palavras. É o momento de associarmos atenção e consciência com ações afirmativas e inclusivas, criando uma sociedade mais próspera e equânime. A sociedade que criou essa realidade distópica é a mesma que pode fazer florescer um mundo viável e possível para as futuras gerações.
*Rodrigo de Aquino – é comunicólogo, especialista em bem-estar e felicidade, É embaixador em São Paulo da ONG Doe Sentimentos Positivos e fundador do Instituto DignaMente.