Cidade de Chicago, EUA – Imagem: Pixabay
POR – AGÊNCIA CONVERSION, ESPECIAL PARA NEO MONDO
Solos sob edifícios apresentam maior calor em relação a outros pontos urbanos; alta temperatura pode danificar materiais de construção
As mudanças climáticas são um assunto debatido há algumas décadas no mundo inteiro – temas como aquecimento global, temperaturas extremas e catástrofes naturais são algumas das consequências dessas mudanças, que ocorrem como consequência da alta de poluentes na atmosfera.
Com isso, diversos estudos foram feitos e aprimorados para identificar os mais variados tipos de eventos: médias de temperatura mais altas, camadas de gelo diminuindo, alto nível de mares e eventos climáticos extremos.
Porém pesquisadores agora também podem identificar um outro tipo de mudança que acontece por baixo da terra: é a chamada mudança climática subterrânea.
Efeitos já podem ser percebidos em estudos
Alessandro Rotta Loria, pesquisador de engenharia civil e ambiental na Northwestern University que possui um estudo publicado na Communications Engineering, já detectou algumas alterações de temperatura do distrito comercial em Chicago.
Rotta Loria e seus alunos instalaram 150 sensores para monitorar as temperaturas da superfície, abaixo da superfície e no subterrâneo que sustenta a cidade de Chicago.
As temperaturas subterrâneas como garagens, túneis de trem e porões alcançaram o marco de 36ºC entre 2020 e 2022. Na superfície próxima dessas estruturas, a temperatura é de 21,5ºC, o que é 10 graus mais quente do que áreas não muito afetadas pelo calor, como o subterrâneo de parques.
Com o estudo, os pesquisadores criaram uma simulação computacional dos cenários para analisar o aumento da temperatura do solo, considerando dados de alteração do solo a partir de 1951 e simulando-a até 2051.
Nesse cenário, houve uma evolução de flutuações da temperatura, que ocasionaram o assentamento e a elevação das camadas do solo (cerca de 10 milímetros). Esse número já seria o suficiente para começar a danificar materiais de construção, rochas e o próprio solo, o que impacta diretamente na estrutura das cidades. O asfalto, por exemplo, pode ser afetado com a alta temperatura. Carros, ônibus, transportes subterrâneos e aéreos ou motos automáticas baratas podem enfrentar alguma dificuldade para passar em asfaltos assim.
Mais estudos da área podem evitar impactos maiores
De acordo com Rotta Loria, “este estudo pode nos fazer perceber que estamos diante de uma oportunidade – podemos agir, e de maneiras diferentes”. Os edifícios a serem construídos não vão aumentar a mudança climática subterrânea, uma vez que as regulamentações e as novas tecnologias advindas de estudos ajudam em um isolamento e uma eficiência energética melhores.
O momento atual é, sem dúvidas, de oportunidades para melhorar esse cenário. Há a possibilidade de aplicar técnicas de isolamento térmico em algumas partes de edifícios subterrâneos, ou então implantar tecnologias geotérmicas embaixo ou ao lado desses edifícios para uma melhor absorção do calor.
David Toll, professor de engenharia e codiretor do Institute Of Hazard, Risk and Resilience, da Universidade de Durhan, tranquiliza: “Minha conclusão do estudo seria que, para o Chicago Loop, agora sabemos que esses movimentos térmicos que ocorreram e aqueles previstos para o futuro imediato não são grandes o suficiente para serem motivo de preocupação. Essa é uma descoberta muito útil”.