Ilha Eigg / crédito: divulgação istock
POR – AGÊNCIA CONVERSION, PARA NEO MONDO
A administração comunitária da ilha implementa estratégias de preservação ambiental, amenizando a crise climática e aumentando o bem-estar de sua população
A sustentabilidade tem se tornado um tema cada vez mais relevante ao longo dos anos. Com o impacto das mudanças climáticas sendo percebido em diferentes localidades, governos e comunidades locais unem esforços em prol do crescimento sustentável e da preservação ambiental. Eigg, na Escócia, é um exemplo bem-sucedido de como o bem-estar de sua população cresceu em conjunto com o avanço de pautas ecológicas.
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Eigg faz parte de um conjunto conhecido como ilhas Hébridas Interiores da Escócia, e, apesar de ser apenas a segunda maior ilha do grupo em extensão territorial, é a que conta com a maior população residente. Atualmente, são cerca de 110 habitantes em seu território, que possui uma extensão de 8 por 5 quilômetros.
A ilha costumava ser tratada com descaso por donos de terras, o que levou os moradores a propor o estabelecimento da administração comunitária do território. A ideia foi bem recebida, fazendo com que o território fosse colocado à venda em 1996. Os moradores juntaram-se em uma campanha de arrecadação de fundos para comprar Eigg, e, para a surpresa de todos, o capital necessário foi facilmente obtido após a participação de um doador anônimo, que contribuiu com 1 milhão de dólares.
Desde a compra, a ilha passou a ser uma propriedade comunitária, administrada por sua população local. Com a distância do continente e a escassez de recursos, a sustentabilidade mostrou-se a alternativa mais eficaz em direção ao desenvolvimento. O território não possui ligação à rede de distribuição de energia, e, para conquistar autonomia, foram realizados investimentos na produção de energia renovável.
Cerca de 95% de toda a energia utilizada na ilha é produzida através de seu próprio sistema, que mescla a produção eólica, hídrica e solar, já que a produção de cada matriz varia de acordo com as estações do ano. Através da diversificação, a ilha consegue manter uma produção contínua para o abastecimento local.
Antes desses investimentos, eram utilizados geradores a diesel. Esse tipo de energia, entretanto, possui um custo muito alto e enfrentava problemas de logística, tornando inviável o transporte e a manipulação de combustível em altas quantidades. Atualmente, esse tipo de equipamento ainda está presente em Eigg, mas o seu uso é apenas em casos de emergência.
Além da produção de energia renovável, a ilha escocesa não possui agricultura intensiva nem pesca predatória. Os moradores realizam essas atividades apenas para consumo próprio, o que permite a preservação da biodiversidade local.
Outra iniciativa importante para impedir a degradação ambiental é o projeto de reflorestamento. Árvores de espécies nativas são plantadas em zonas desmatadas, proporcionando a ampliação e preservação das florestas para a vida selvagem, ao passo que mantêm também a fabricação de lenha. A lenha é utilizada tanto para cozinhar quanto para o aquecimento durante as estações mais frias.
Uma balsa visita a ilha algumas vezes durante a semana para repasse de mantimentos e transporte de pessoas. A ilha costuma atrair profissionais da área ambiental que estudam o tema sustentabilidade, como aqueles formados em biologia, biomedicina, engenharia ambiental e outros, que buscam conhecer a biodiversidade local e as estratégias de preservação implementadas pela comunidade.
Além disso, Eigg possui pontos turísticos famosos que atraem visitantes frequentemente, como a formação rochosa An Sgurr, provocada pela erupção de um vulcão há milhares de anos, e a praia de Singing Sands, em que o movimento da areia é capaz de emitir um som único.