Imagem: Freepik
Por – Ana Maria Costa*, Betulia de Morais Souto*, Daniela Biaggioni Lopes* e Eduardo da Silva Matos*
O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 (ODS 2) da Agenda 2030 da ONU trata da Fome Zero e Agricultura Sustentável. Tem por missão acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhorar a nutrição, tendo por componente central a agricultura sustentável em seu sentido amplo, que engloba não somente o aspecto econômico, mas também o social e ambiental. Trata-se de um grande desafio, pois o alimento deve chegar à mesa de todos os brasileiros em quantidade e qualidade necessária para garantir a saúde da população, considerando ainda as tradições alimentares de cada região. Além disso, a produção desse alimento deve usar de forma racional os recursos naturais (solo e água) e contribuir positivamente para a qualidade de vida das populações rurais, particularmente, as da agricultura familiar e a dos povos originários, remunerando de forma justa todos os elos das cadeias de suprimento.
Para isso, são necessárias políticas públicas transversais e programas governamentais em diferentes níveis (nacionais, estaduais, municipais) que viabilizem a inclusão social e a organização produtiva voltada para a geração e consumo de alimentos mais saudáveis a preços acessíveis. Com este intento o Governo Federal no final de 2023 finalizou a reestruturação da Comissão Nacional dos ODS, que envolve representantes de todos os ministérios, da alta gestão governamental, além de prefeituras e da sociedade civil em prol de um grande pacto para o desenvolvimento territorial e local voltado para acelerar o alcance das metas do ODS 2.
O aporte de conhecimento e tecnologias adequadas para uma agricultura sustentável é um aspecto relevante para avançarmos no ODS 2. A Embrapa, que tem como missão viabilizar soluções de pesquisa, desenvolvimento e inovação para a sustentabilidade da agricultura, pecuária e agroindústria em benefício da sociedade brasileira, vem desenvolvendo, nos últimos 50 anos tecnologias para aumentar o rendimento dos cultivos alimentares, recuperar áreas degradadas, reduzir a emissão de gases de efeito estufa e otimizar o uso da água. Ao mesmo tempo, tem disponibilizado variedades mais nutritivas, e desenvolvido ingredientes/ produtos que além de nutrir contribuem para a manutenção da saúde da população (alimentos funcionais), bem como tecnologias para uso de coprodutos da agroindústria de alimentos, reduzindo os desperdícios que causam impacto ambiental negativo, ao mesmo tempo que propiciam o fortalecimento da bioeconomia nacional pautada na sustentabilidade.
Outra preocupação da Embrapa no contexto do ODS 2 é a promoção de tecnologias que agreguem e respeitem o conhecimento tradicional das comunidades rurais. As iniciativas trouxeram destaque ao Brasil junto à Organização das Nações Unidas para a Alimentação (FAO- Food and Agriculture Organization), que vem divulgando as experiências como exemplos que podem ser seguidos por outros países. Ações da empresa em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e da Agricultura Familiar (MDA) e Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) tem contribuído para a retomada e reestruturação de diversas políticas públicas como o Programa de Aquisição de Alimentos, a Política Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica, dentre outras. Estas políticas buscam atender grupos vulnerabilizados que são também prioritários para a Agenda 2030, dentre os quais se destacam mulheres rurais, jovens, povos indígenas, comunidades quilombolas e povos e comunidades tradicionais.
Os desafios do ODS 2, redução da insegurança alimentar e a produção sustentável de alimentos, são bastante afetados pelas mudanças do clima e também pelas novas tecnologias digitais, fatores que se tornaram mais evidentes na última década. A ciência é uma aliada da sociedade para a adaptação do setor produtivo a uma agricultura de baixo carbono, a condições de escassez hídrica e para uma transição para sistemas alimentares mais resilientes. Além disso, as tecnologias para a inclusão digital de grandes e pequenos produtores rurais podem trazer maior eficiência produtiva e ter um impacto importante em como o País vai conseguir responder a esses desafios nos próximos anos.
*Ana Costa possui graduação em Engenharia Agronômica, especialização em Biologia, mestrado em Biotecnologia Genômica e doutorado em Patologia Molecular. Pesquisadora A da Embrapa na área de biotecnologia e bioeconomia. Coordenadora da Rede Passitec: Uso e Valoração da biodiversidade vegetal do Cerrado. Coordenadora do Relacionamento Estratégico da Rede ODS Embrapa, lotada na Superintendência Estratégica da Embrapa. Como líder da rede Passitec, recebeu os prêmios: Celso Furtado de Desenvolvimento Regional (2017) e foi destaque da FAO na área de bioeconomia para uso sustentado da biodiversidade (2019). Coordenou a participação brasileira no Science Summit at UN General Assembly (2023), coordenou o Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia de Alimentos (2022) e o Simpósio de Fruticultura – SóFruto (2021).
Betulia de Morais Souto possui graduação em Ciências Biológicas e mestrado em Biologia Molecular pela Universidade de Brasília e especialização pela Escola Fiocruz de Governo. Analista da Embrapa, onde atuou nas áreas de Biologia Molecular, Microbiologia e Enzimologia no Laboratório de Genética e Biotecnologia de Microrganismos da Embrapa Agroenergia. Atualmente trabalha na coordenação da Rede ODS Embrapa (Agenda 2030) lotada na Supervisão de Planejamento Estratégico, Superintendência de Estratégia (SUEST).
DANIELA BIAGGIONI LOPES é engenheira agrônoma graduada em 1990 pela ESALQ/USP; obteve o título de mestrado em fitopatologia pela ESALQ/USP em 1994, e concluiu o doutorado em fitopatologia pela UNIVERSITY OF FLORIDA em 1999. É pesquisadora pela Embrapa desde 2001. Sua experiência profissional inclui ações de pesquisa com efeito de doenças na fisiologia do feijoeiro, epidemiologia e controle de doenças de videira e mangueira. Entre 2005 e 2014 atuou no Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento, na sede da Embrapa, na gestão de carteiras de projetos da empresa. Desde 2014 contribui em processos de prospecção e planejamento estratégico, políticas públicas, planejamento governamental e ações relacionadas à Agenda 2030.
Eduardo da Silva Matos possui graduação em Agronomia e mestrado em Solos e Nutrição de Plantas pela Universidade Federal de Viçosa e Doutorado em Ciências Naturais pela Brandenburgische Technische Universität (Alemanha). Pesquisador “A” da Embrapa, iniciou sua carreira na Embrapa Agrossilvipastoril (Sinop-MT), onde atuou em diversos projetos de pesquisa avaliando a dinâmica do carbono em solo sob sistema plantio direto, sistemas agroflorestais, pastagens, restauração florestal e integração lavoura-pecuária-floresta. Também atuou como Secretário Executivo do CTI, de 2011 a 2015, e como Chefe Adjunto de Pesquisa e Desenvolvimento, de 2015 a 2016. Coordenou a elaboração e implantação do Plano Diretor da Unidade e foi responsável pela implantação da linha de pesquisa em Dinâmica do Carbono no Solo e pela Instrumentação Científica para a pesquisa em Ciência do Solo da Unidade. Foi professor orientador do Programa de Pós-Graduação em Agronomia da Universidade Federal de Mato Grosso, de 2012 a 2022, atuando na área de concentração de solos. Atuou como Gerente de Macroestratégia e Chefe Substituto da Secretaria de Inteligência e Relações Estratégicas (SIRE), de 2020 a 2022, quando foi responsável pela elaboração, monitoramento e avaliação do planejamento estratégico da Embrapa, bem como pela organização e gestão da informação estratégica de contribuições da Embrapa para políticas públicas. Atualmente é Superintendente de Estratégia (SUEST), responsável pela gestão do macroprocesso de inteligência e governança estratégicas da Embrapa e pela coordenação do Sistema de Inteligência Estratégica da Embrapa (Agropensa), do Plano Plurianual (PPA), Plano Diretor (PDE), Plano de Negócios e Balanço Social.
**As opiniões expressas no artigo não necessariamente expressam a posição de NEO MONDO.
**As opiniões expressas no artigo não necessariamente expressam a posição de NEO MONDO.