Alexander Turra durante apresentação no evento JORNADA BRASIL ODS 2030, promovido pelo portais Neo Mondo e 1 Papo Reto – Imagem: Divulgação/Neo Mondo
POR – OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
O Prêmio envolveu 20 academias de ciências, entre elas a Academia Brasileira de Ciências (ABC), e 475 universidades e instituições de investigação líderes de 43 países
O professor Alexander Turra, do Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP), foi agraciado com o prestigiado Frontiers Planet Prize na segunda edição da premiação. O reconhecimento veio graças ao seu estudo inovador sobre a poluição por plástico nos oceanos, focado na Baía de Guanabara (RJ) e nas áreas brasileiras da Bacia do Rio da Prata.
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A pesquisa premiada, publicada na revista Science Direct, intitulada “Avanços na identificação de hotspots de poluição por plástico em nível subnacional: o Brasil como um estudo de caso no Sul Global”, quantifica e analisa a geração de lixo plástico em diversas regiões do Brasil. O estudo destaca dois pontos críticos de transmissão de lixo para os oceanos: a Baía de Guanabara e as áreas brasileiras da Bacia do Rio da Prata.
Alexander Turra, que é professor do Departamento de Oceanografia Biológica do IO e coordena a Cátedra Unesco para Sustentabilidade dos Oceanos, comentou sobre sua trajetória e o impacto de sua pesquisa. “Sempre fui inundado pelo oceano desde muito jovem. Com base na minha experiência em ecologia marinha e gestão costeira, tive um aprendizado transdisciplinar que me permitiu dialogar com os mais diversos atores sociais relacionados ao oceano. A integração entre oceano e sociedade e entre ciência e tomada de decisão tornou-se minha prática diária e representa um dos principais objetivos da Cátedra Unesco para Sustentabilidade dos Oceanos, que coordeno na Universidade de São Paulo. O lixo marinho é um dos desafios que a cátedra aborda a partir de uma equipe interdisciplinar, como foi com o estudo premiado”, afirmou Turra.
O Frontiers Planet Prize tem como objetivo reconhecer cientistas cujas pesquisas promovem a sustentabilidade e fornecem soluções para impedir a transgressão das nove fronteiras planetárias. Essas fronteiras incluem mudanças climáticas, integridade da biosfera, alterações no uso da terra, disponibilidade de água potável, fluxos biogeoquímicos, acidificação dos oceanos, mudanças na composição atmosférica, depredação da camada de ozônio e a liberação de radiação ou substâncias e organismos sintéticos na natureza.
A premiação envolveu 20 academias de ciências, incluindo a Academia Brasileira de Ciências (ABC), e 475 universidades e instituições de investigação líderes de 43 países. Os 23 vencedores nacionais foram escolhidos por um júri independente composto por 100 cientistas. Entre os membros do júri estavam Carlos Nobre e Mercedes Bustamante, membros da ABC.
A seleção das candidaturas do Brasil foi conduzida pela Academia Brasileira de Ciências (ABC), que convidou instituições de ensino superior públicas, privadas e confessionais, bem como unidades de pesquisa ligadas ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a submeterem seus candidatos.
Os vencedores terão a oportunidade de compartilhar seus trabalhos premiados através de conferências nacionais e internacionais, promovendo a mudança sistêmica necessária para proteger a saúde do nosso planeta.
O reconhecimento de Alexander Turra e seu estudo sublinha a importância de abordagens interdisciplinares e colaborativas para enfrentar os desafios ambientais globais, especialmente a poluição marinha, que ameaça a biodiversidade e a saúde dos ecossistemas oceânicos.
Com informações da Assessoria de Comunicação do IO e da ABC