Recordista mundial em biodiversidade, a Mata Atlântica é também uma das florestas tropicais mais ameaçadas do planeta – Foto: © Vania Godoi Eduardo/WWF-Brasil
POR – WWF-BRASIL / NEO MONDO
União em defesa do bioma tinha como objetivo acelerar o reflorestamento e impedir o enfraquecimento de proteções ambientais
Recordista mundial em biodiversidade, a Mata Atlântica é também uma das florestas tropicais mais ameaçadas do planeta. Apesar da grande importância econômica e ecológica, é o bioma mais degradado do Brasil: restam apenas 12,4% da extensão original de florestas, sendo que a maior parte desses remanescentes são áreas fragmentadas e desconectadas.
Em 2020, continuamos investindo em ações para proteção desse bioma tão vulnerável. O Programa Mata Atlântica do WWF-Brasil seguiu trabalhando com a missão de aliar o bem-estar humano à conservação da biodiversidade, qualidade e integridade do solo e dos recursos hídricos.
Ao longo do ano, nos unimos a outros parceiros em diversas iniciativas, com objetivos que vão desde acelerar as iniciativas de reflorestamento na Mata Atlântica, até confrontar as tentativas do Governo Federal de enfraquecer as proteções ambientais do bioma. Contribuímos para vários outros projetos como a proteção das onças-pintadas da região de Foz do Iguaçu, ou a recuperação da bacia do Rio Doce. Também atendemos com doações comunidades tradicionais da Mata Atlântica que foram impactadas pela pandemia de Covid-19.
Onças-pintadas e sistemas agroflorestais
Em janeiro, mais de 2.500 jovens participaram das atividades promovidas pelo WWF-Brasil e seus parceiros durante o JamCam 2020, o maior encontro de escoteiros das Américas, na cidade de Foz do Iguaçu. Entre as atividades, desenvolvidas com o objetivo de aproximar os adolescentes da cultura da conservação e proteção do meio ambiente, destacou-se a oficina sobre a convivência homem e a onça-pintada, realizada em parceria com o projeto Onças do Iguaçu.
Em julho anunciamos o registro de dois novos filhotes de onças-pintadas no Parque Nacional do Iguaçu. Em dezembro, a equipe do projeto Onças do Iguaçu conseguiu imagens que mostram que os dois filhotes são um macho e uma fêmea. E eles já estão grandes e saudáveis. Mesmo durante a pandemia, o trabalho do Onças do Iguaçu não parou neste ano e foram criados protocolos sanitários para iniciar o censo populacional de onças, trabalho anual que tem o apoio do WWF-Brasil.
A partir de março, realizamos o Concurso Ideias Renovadoras: Plantando Árvores e Colhendo Alimentos, com o objetivo de auxiliar na recuperação da bacia do Rio Doce e promover os Sistemas Agroflorestais. Os cinco vencedores -três da bacia do Rio Doce e dois de outras regiões do país- foram anunciados em agosto e receberam um prêmio de R$ 6 mil.
Parcerias e ativismo
Em abril, o STF (Supremo Tribunal Federal) tomou uma decisão importante para a Mata Atlântica colocando um ponto final em uma disputa judicial que se arrastava há mais de 30 anos. A decisão enterrou definitivamente a ideia de se abrir uma estrada no Parque Nacional do Iguaçu, no extremo oeste do Paraná. Na primeira semana de março, o WWF-Brasil havia feito um sobrevoo da área do Parque, percorrendo o trecho de 18 quilômetros de estrada que cortava a UC (Unidade de Conservação). Constatamos que a floresta se recuperou e praticamente não há mais sinais da estrada.
Em agosto, o WWF-Brasil e outras cinco organizações ambientais se mobilizaram para reagir a uma tentativa do Governo Federal de enfraquecer as regras de proteção da Mata Atlântica. O grupo de ONGs pediu ao STF que rejeitasse uma Ação Direta de Inconstitucionalidade por meio da qual o Governo Federal tentava restringir o alcance de dispositivos da Lei da Mata Atlântica que exigem a recuperação ambiental de áreas ilegalmente desmatadas a partir de 1990, quando foi aprovada a primeira norma especial de proteção do bioma.
Também em agosto, o Movimento SOS Floresta do Camboatá lançou um manifesto contra a construção de um novo Autódromo do Rio de Janeiro sobre uma área de Mata Atlântica. O manisfesto teve apoio do WWF-Brasil e da Fundação SOS Mata Atlântica. Localizada em uma área de 200 hectares com espécies nativas, a área tem grande importância biológica, demonstrada por diversos estudos. A área foi indicada pelo Plano Municipal de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica como uma área prioritária para se tornar uma Unidade de Conservação.
Restauração florestal
Em setembro, nos unimos com um grupo de organizações ambientais para lançar uma iniciativa que ajudará a acelerar o ritmo da restauração da Mata Atlântica. O WWF-Brasil, a Conservação Internacional, a The Nature Conservancy e o World Resources Institute fazem parte da aliança, cujo objetivo é integrar esforços a fim de acelerar e garantir escala às ações de restauração da Mata Atlântica e da Amazônia.
O mês também foi marcado por mais um encontro da Rede Trinacional de Restauração da Mata Atlântica do Alto Paraná, uma iniciativa de 33 organizações que busca gerar vínculos com organizações e instituições dedicadas ao reflorestamento. A Rede, impulsionada pela Fundación Vida Silvestre Argentina e pelos escritórios WWF do Brasil e Paraguai, busca concentrar esforços de diversos setores para impulsionar ações organizadas, promover a função dos atores regionais e aumentar as oportunidades e a escala dos projetos de restauração e conservação, mobilizados pelo estado crítico de degradação dessa ecorregião.
Em outubro, divulgamos um relatório completo sobre as lições aprendidas nos 16 anos do projeto de Restauração de Paisagens Florestais na Ecorregião do Alto Paraná, no Brasil, Argentina e Paraguai. O projeto teve início em 2004, com uma parceria entre o WWF-Brasil, o WWF-Paraguai e a Fundação Vida Silvestre, na Argentina.
Ao longo de 2020, foram divulgados os podcasts Tom da Mata, uma realização do WWF-Brasil em parceria com o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica. Os podcasts contam as histórias acumuladas ao longo de 10 anos -desde o início do Pacto- a fim de discutir os desafios e os resultados obtidos para a restauração da Mata Atlântica.
Covid-19
A pandemia de Covid-19 também exigiu a tomada de ações para atenuar a situação crítica de comunidades tradicionais da Mata Atlântica. Em outubro, nos unimos a outros parceiros para doar 1.221 cestas com alimentos e produtos de higiene, atendendo 650 famílias de indígenas, camponeses e caiçaras da região litorânea do estado de São Paulo. Com sua cultura fortemente ligada à pesca artesanal, essas comunidades tiveram dificuldades para pescar e para vender seus produtos durante a pandemia.
O trabalho de restauração realizado pelo Programa Raízes do Mogi Guaçu também precisou de adaptações por conta do Covid-19, mas conseguimos já iniciar os plantios em 19,5 hectares. O programa é resultado de um acordo de colaboração firmado entre o WWF-Brasil e a International Paper. Ao longo do ano, realizamos três encontros virtuais com proprietários rurais do projeto e finalizamos a etapa piloto dos plantios.