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ARTIGO
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Por – Amanda Stelitano*, pesquisadora do Instituto Propague, especial para Neo Mondo
O universo das criptomoedas não está imune à transformação gerada pela ascensão da agenda ESG (Ambiental, Social e Governança) no mercado financeiro. Historicamente, as criptomoedas e as finanças sustentáveis caminhavam em direções opostas devido ao impacto negativo da mineração de criptomoedas e à alta demanda de energia para realizar atividades relacionadas ao comércio cripto. Contudo, com o crescente interesse dos investidores por ativos sustentáveis e o potencial competitivo que o alinhamento aos pilares ESG tem gerado, a adaptação das criptomoedas a um futuro sustentável é uma realidade que pode consolidar um mercado altamente valioso.
A crescente pressão por um mundo mais sustentável desencadeou uma corrida em busca de criptomoedas mais ecologicamente corretas, levando as principais redes cripto a se movimentarem para transformar seus processos de geração de ativos alinhados com as expectativas e demandas do mercado ESG. Atualmente, grandes nomes como a Ethereum – a segunda maior criptomoeda em circulação – já se destacam como referência nesse novo cenário potencial, onde as criptomoedas estão integradas no escopo da sustentabilidade.
Criptomoedas e ESG: uma corrida contra o tempo
A ‘produção’ de uma criptomoeda demanda um custo operacional significativamente elevado, tornando imprescindível a existência das denominadas fazendas de mineração de criptoativos. Essas fazendas consistem em extensas redes de computadores interconectados, operando incessantemente para decifrar os códigos de segurança e proteção da rede blockchain que compõem esses ativos digitais. É evidente que, para sustentar toda essa infraestrutura, é necessário um consumo de energia e poder computacional de alta qualidade.
Essa demanda é tão expressiva que, conforme indicado pelo Índice de Consumo de Eletricidade da Universidade de Cambridge, o consumo de energia para a produção anual do Bitcoin, a principal criptomoeda do mercado global, supera a geração anual de países inteiros, como Argentina, Ucrânia, Chile, Noruega, entre outros.
Dessa forma, visando reduzir o impacto negativo das criptomoedas e descarbonizar a energia demandada para a mineração, algumas das principais moedas do universo cripto têm se comprometido com a sustentabilidade, investindo em alternativas para prosperar em um mercado de investidores cada vez mais exigente quanto ao comprometimento com os princípios ESG.
É o caso da Ethereum, que, atualmente, segundo o CCData – uma referência em dados e metodologias para avaliação do impacto das criptomoedas no mundo – é considerada a criptomoeda mais sustentável em operação no mercado. Isso se deve ao fato de que, em comparação com outras grandes como o Bitcoin, a Ethereum reconheceu os desafios operacionais da mineração intensiva em consumo de energia e optou por um modelo de menor impacto, exigindo menos infraestrutura digital e, consequentemente, menos consumo de energia. De acordo com o CEO da Ethereum, a intenção é conduzir testes relacionados à Ethereum 2.0 com a nova infraestrutura, independente da mineração e da energia proveniente de fontes carboníferas, avaliando a eficiência através da redução no consumo de energia e pelo valor de mercado alcançado.
Criptomoedas aceleram a chegada ao ESG
A movimentação das grandes redes cripto desencadeou a necessidade urgente de minimizar o impacto ambiental e climático dos ativos digitais, tornando-se uma prioridade para os participantes do mercado cripto. É a partir dessa perspectiva que surgiram iniciativas como o Crypto Climate Accord (CCA), um projeto destinado a eliminar a dependência de fontes e matrizes de combustíveis fósseis para a mineração de criptomoedas. Essa iniciativa, conhecida como proof-of-green – ou prova do verde, em tradução livre – representa uma colaboração dinâmica entre líderes da indústria de criptografia e blockchain, visando acelerar o desenvolvimento de soluções digitais e pavimentar o caminho para um futuro mais sustentável dentro do setor.
O cerne do projeto está na transição de modelos intensivos em energia, como o modelo de mineração, para alternativas mais ecológicas, semelhantes à escolhida pela Ethereum. Nesse contexto, o CCA e sua rede de empresas engajadas desenvolveram um certificado para avaliar os progressos na transição e adaptação das criptomoedas diante dos desafios da sustentabilidade, fornecendo validação tanto para os investidores quanto para os reguladores do mercado.
Dessa forma, a trajetória em busca de um equilíbrio entre inovação e responsabilidade ESG no universo cripto envolverá diversas abordagens como resposta às barreiras e incompatibilidades do cenário atual. Iniciativas conduzidas tanto pelas próprias redes de criptomoedas quanto pelos stakeholders das empresas globais estão moldando a transformação do mercado de ativos digitais e da tecnologia como um todo. Há muito a ser ganho com a integração da agenda ESG, não apenas em termos de um sistema financeiro com menor impacto ambiental, mas também ao fortalecer uma nova era no universo cripto, repleta de oportunidades de crescimento.