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Escrito por Neo Mondo | 18 de setembro de 2025
Agricultura regenerativa: um novo capítulo no campo - Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Do campo ao futuro: como aveia, trigo e milho estão ajudando a regenerar o solo e reduzir a pegada de carbono no agronegócio
Quando pensamos em agricultura regenerativa, logo vem à mente um futuro mais saudável — não apenas para quem consome os alimentos, mas para quem os produz e para o planeta inteiro. A Nestlé Brasil parece estar levando isso a sério. Depois de resultados expressivos nas cadeias de cacau, café e leite, a gigante da alimentação está expandindo suas práticas regenerativas para a produção de cereais como aveia, trigo e milho.
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São oito fazendas parceiras, espalhadas por Goiás e Paraná, somando 1.980 hectares de área de cultivo que agora respiram novas práticas de manejo. A meta é clara: melhorar a saúde do solo, reduzir a dependência de insumos químicos e cortar a pegada de carbono. E os primeiros números são animadores — já houve uma redução de mais de 20% nas emissões quando comparadas à safra anterior.
Mais do que uma tendência, isso é uma resposta urgente aos desafios climáticos. Afinal, 70% das emissões de carbono da Nestlé no Brasil vêm da produção de ingredientes. Ao investir em regeneração do solo, a empresa não só diminui seu impacto, como cria resiliência para enfrentar períodos de estiagem e outras consequências das mudanças climáticas.
A estratégia da Nestlé é criar unidades demonstrativas dentro das propriedades rurais. Ou seja, uma parte da fazenda é dedicada exclusivamente à aplicação de novas práticas regenerativas. Ali, o produtor consegue ver na prática — e não só no papel — como a diversidade de culturas, a cobertura do solo e o manejo integrado de pragas podem melhorar a fertilidade e reduzir custos.
Durante os três primeiros anos, os agricultores recebem suporte técnico da Agrobiota e um subsídio financeiro para adquirir bioinsumos, mix de cobertura e fertilizantes nitrogenados estabilizados. É um investimento que tem retorno: produtores já relatam aumento de produtividade e maior resiliência das lavouras contra pragas.
Esse tipo de aproximação humaniza a relação indústria-campo. Não é só sobre comprar matéria-prima, é sobre construir um futuro junto. O coordenador agrícola da Nestlé para a cadeia de cereais, João Roque Araújo, afirma: “A ideia do projeto é que, ao enxergar os benefícios, os produtores adotem essas práticas em toda a propriedade”.
A saúde do solo é um dos pontos centrais da agricultura regenerativa. Quando o solo está vivo — rico em matéria orgânica, micro-organismos e diversidade — ele se torna mais fértil, retém mais água e reduz a necessidade de insumos químicos.
No projeto da Nestlé, a área com plantas de cobertura mais que dobrou em dois anos, e a rotação de culturas chegou a quatro tipos diferentes em três anos em uma mesma área. Essa diversidade é um presente para o solo, que ganha nutrientes de forma natural e melhora sua estrutura física.
O impacto vai além das fazendas. Mais solo saudável significa menos erosão, menos assoreamento de rios e mais captura de carbono — contribuindo diretamente para mitigar os efeitos das mudanças climáticas. E convenhamos, é inspirador ver uma empresa desse porte ajudando a regenerar ecossistemas inteiros.
Para medir o sucesso do projeto, a Nestlé usa duas ferramentas globais: a Farm Assessment Tool (FAT), que avalia o nível de adoção das práticas regenerativas, e a Cool Farm Tool (CFT), que calcula a pegada de carbono das culturas. O resultado? Uma queda de mais de 20% nas emissões já na safra de 2024.
Além disso, 41% das matérias-primas da Nestlé no Brasil já vêm de propriedades com práticas regenerativas — superando a meta global de 30% para 2025. É um avanço que coloca o país como protagonista na agenda de descarbonização da companhia.
Barbara Sollero, head de Agricultura Regenerativa da Nestlé Brasil, resume bem o espírito da iniciativa: “Acelerar a transição para sistemas regenerativos é essencial não só para descarbonizar as cadeias, mas também para aumentar a resiliência dos sistemas de cultivo e preservar as produções em um cenário de mudanças climáticas cada vez mais desafiador”.

Não dá para falar de agricultura regenerativa sem falar de esperança. Ver uma gigante do setor abraçando a ideia de restaurar e não apenas explorar o solo é uma injeção de ânimo em quem acompanha o futuro do agronegócio.
Esses projetos mostram que é possível conciliar produção em escala com responsabilidade ambiental. Que dá para produzir cereais, leite, café e cacau e, ao mesmo tempo, regenerar o solo, proteger a biodiversidade e reduzir emissões.
Se outras empresas seguirem o exemplo, teremos uma revolução silenciosa no campo — uma que coloca o agricultor no centro da solução climática e transforma o Brasil em referência global em agricultura regenerativa.
Para saber mais sobre a Nestlé, clique AQUI.
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