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Escrito por Neo Mondo | 1 de julho de 2018
De 27 a 29 de junho, na Espanha, ocorreu a Conferência Ibero-americana sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entre as paredes medievais da secular Universidade de Salamanca, que sediou o evento como parte das comemorações de seus 800 anos, especialistas em mudança do clima, meio ambiente, inovação, energia, economia circular, cultura e alianças estratégicas, dentre outras áreas do conhecimento, discutiram formas de implantar a mais ambiciosa e completa agenda de desenvolvimento sustentável já produzida pela humanidade. Olhando para um passado de oito séculos, discutiu-se o que fazer para avançar com sustentabilidade nas próximas duas décadas.
Os 17 ODS e suas 169 metas associadas lideradas pela ONU são ambiciosos, mas constituem a única maneira de construirmos um mundo possível, desejável e sustentável em 2030. Este mundo ainda não existe, mas um grande passo foi dado na reunião: a Declaración de Salamanca, documento fundamental para essa transformação. Trata-se de um convite aberto a todos, organizações e indivíduos, de todo país, idade e condição, para aceitar uma série de princípios gerais e forjar compromissos para o avanço do desenvolvimento sustentável.
Universidade de Salamanca - Foto Renato Rodrigues
Ponto de destaque deve ser dado à questão da confiança. Esse é um elemento vital para a sobrevivência da espécie humana, mas que experimenta uma crise de grandes proporções. Há uma falta generalizada nas relações humanas e institucionais. Alianças, invariavelmente, devem promover e ter como base construtiva a confiança.
As pessoas e as instituições devem aproveitar todas as possibilidades e oportunidades que a confiança e as alianças trazem. Individualmente, é normal pensar na resolução dos problemas dentro do espaço do óbvio. Afinal, é preciso atender os acionistas, o governo, a sociedade e todos os atores envolvidos em cada questão. No entanto, alianças permitem abrir horizontes e enxergar no espaço do “não-óbvio” (o tradicional jargão “pensar fora da caixinha” ganha uma dimensão palpável). E esse é o novo desafio, amplamente destacado nesta conferência: buscar melhorias no espaço do óbvio, que normalmente trazem pequenas mudanças incrementais. Mas, ainda, devemos arriscar mais em novos espaços não-óbvios, desafiando e transgredindo sistemas consolidados, inovando e respirando formas de conhecimento menos formais.
As Alianças permitem abrir o discurso fechado de instituições, criar novos diálogos e reduzir tensões, inclusive transitar melhor em temas dicotômicos ou contraditórios. É possível citar uma série de termos opostos que podem migrar do convencional para o inovador, como: controle x autonomia; resultados x valores; sistema tradicional x novas formas de financiamentos; jargões x linguagens inclusivas; linear x sistêmico; vertical x horizontal; estático x dinâmico; profissional x lúdico; riscos x oportunidades; urgente x importante; egossistema x ecossistema; ação x reflexão; burocrático x ágil...
Viemos para Salamanca com uma missão muito especial: buscar conhecimento para aprofundar uma aliança multi-institucional, multisetorial e multidisciplinar, com conceitos inovadores em sua essência, que nos incentivem a trilhar caminhos menos conhecidos, mas que nos levem à plenitude dos objetivos do desenvolvimento sustentável.
Universidade de Salamanca - Foto Renato RodriguesComo diz o presidente de uma das empresas da Associação Rede ILPF, nossa aliança permite que pessoas de bem, em instituições de bem, promovam o bem.
*Renato de Aragão Ribeiro Rodrigues – Secretário de Inteligência e Relações Estratégicas da Embrapa
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