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Escrito por Neo Mondo | 19 de setembro de 2018
Grupo internacional de pesquisa, com participação de brasileiro, faz mapeamento inédito de fenda de 3 mil metros de profundidade na Irlanda, a fim de entender as mudanças climáticas globais (foto: University College Cork)[/caption]
Apesar de o cânion ter uma profundidade de até 3 mil metros, o ROV Holland I submergiu até aproximadamente 2 mil metros, onde estão os detritos mais recentes.
“As amostras colhidas pelo ROV ajudarão a entender a dinâmica desses fenômenos ao longo dos últimos 10 mil anos, que podem nos dar pistas para compreender as mudanças climáticas que estamos vivenciando agora”, disse Conti à Agência FAPESP.
Além de coletar sedimentos do fundo do cânion, ricos em detritos de corais, o veículo retirou amostras de corais vivos das paredes e do topo, que serão analisados por biólogos a fim de conhecer as espécies que habitam aquela área e seu parentesco com as de outras regiões.
A expedição de 15 dias mapeou toda a área do Porcupine Bank Canyon, de 1.800 quilômetros quadrados, maior que o município de São Paulo (imagem: University College Cork)[/caption]
Diferentemente dos corais de água quente, que obtêm nutrientes por meio de um processo de simbiose com algas que vivem dentro deles (zooxanthelas), os de água fria como os do cânion Porcupine dependem do plâncton morto que desce da superfície (foto: University College Cork)[/caption]
“As crescentes concentrações de CO2 na atmosfera estão causando eventos climáticos extremos. Os oceanos absorvem esse gás carbônico e os cânions são uma rota rápida para bombeá-lo para as profundezas, onde ele é estocado de forma segura”, disse Wheeler.
Com as amostras coletadas, os pesquisadores poderão eventualmente saber se as concentrações de carbono na atmosfera têm influência no crescimento das colônias de corais e na morte de porções delas. Embora o cânion estivesse estável no momento da coleta, periodicamente há algum evento violento que o faz erodir.
“É o que se chama de um evento pulsante. Em alguns lugares, como a Noruega, ocorrem verdadeiras avalanches de corais mortos nesses cânions. Em outros, há uma movimentação mais lenta, porém constante”, disse Conti.
Outro objetivo do pesquisador brasileiro era aprimorar técnicas de mapeamento, a fim de aplicá-las em projetos de pesquisa no Brasil.
“A costa brasileira ainda é pouco conhecida. O navio oceanográfico Alpha Crucis, da USP [adquirido com apoio da FAPESP], tem equipamentos adequados para o mapeamento submarino. É pouco, mas é um bom começo. A descoberta dos corais na foz do Amazonas também foi uma conquista importante”, disse Conti.
No entanto, segundo o pesquisador, faltam projetos de mapeamentos mais detalhados, como um levantamento topográfico sistemático do leito marinho brasileiro.
“A Irlanda, há 15 anos, realizou um grande programa de mapeamento de seu leito marinho. Graças a ele é que foi possível descobrir e escolher a área desse cânion como um laboratório natural”, disse. “Sem algo assim, ficamos dois passos atrás.”
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