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Escrito por Neo Mondo | 28 de abril de 2026
Área do experimento na Amazônia brasileira - Foto: Nathielly Martins
POR - REDAÇÃO NEO MONDO*
Vegetação amazônica se mostra competitiva e resiliente quando submetida a cenário simulado de aumento de gás carbônico e escassez de fósforo no solo
Um experimento que simula o futuro do aumento das concentrações de CO₂ atmosférico em plena floresta amazônica revela comportamento organizado, competitivo e resiliente da floresta nesse cenário com maior presença do gás, que agrava o efeito estufa, e com solo escasso em fósforo – importante nutriente da flora nativa. Publicadas em artigo na revista Nature Communications na terça (28), as constatações reforçam a importância do bioma no combate às mudanças do clima.
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Em condições adversas, as raízes das plantas situadas na serrapilheira ficaram mais longas e finas. As raízes fixadas no solo tiveram aumento de colonização por fungos, o que pode influenciar a competição entre plantas e microorganismos pelos recursos disponíveis.
Ao longo de dois anos, a partir de 2019, os pesquisadores puderam coletar informações de um sub-bosque da Amazônia, com árvores de até três metros de altura, que são submetidas ao aumento da concentração de dióxido de carbono, o CO₂, por câmeras de topo aberto. O experimento é realizado pelo programa AmazonFACE, vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI). O programa é uma parceria dos governos brasileiro e britânico, sediado no Instituto Nacional de Pesquisa (INPA) e co-coordenado pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Localizada a 70 quilômetros de Manaus, a iniciativa existe desde 2014; no final de 2023 o experimento com a câmara de topo aberto foi encerrado e em maio de 2026 o experimento FACE, com enriquecimento de CO2 ao ar livre, iniciará.
Um estudo anterior no mesmo experimento revelou que as plantas aumentaram substancialmente o seu crescimento por conta das adaptações, resultando em aumento da assimilação do carbono em 67% e em aumento do diâmetro do caule em 65%. Os resultados acumulados até o momento apontam para uma “fertilização por CO₂”, fenômeno que ainda precisa ser aprofundado, segundo o artigo.
Assim, a pesquisa mostra que tanto plantas quanto microrganismos se reorganizaram rapidamente para absorver nutrientes diante do cenário atípico. “Essa rápida adaptabilidade da comunidade de plantas, investindo em múltiplas estratégias para aquisição de nutrientes, reforça a importância da interação com o fósforo para a possível capacidade da floresta de continuar atuando como um sumidouro de carbono e resiliência da floresta frente às mudanças climáticas”, explica Nathielly Martins, autora principal do estudo.

Para a autora, o estudo contribui para o entendimento de cenários climáticos futuros em todo o planeta. No entanto, a Amazônia é um dos biomas mais afetados por extremos climáticos nos últimos anos, como secas e alagamentos. “Os resultados observados até o momento são únicos e nos guiarão para uma melhor compreensão da floresta amazônica como um todo em resposta às mudanças climáticas”, conclui Martins.
*Fonte: Agência Bori.
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