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Escrito por Neo Mondo | 26 de novembro de 2018
Ao longo do último ano, o Palácio do Planalto e governos estaduais fizeram uma série de acenos à bancada ruralista, como a anistia à grilagem de terras, assinada pelo Presidente da República em julho de 2017 (pouco antes de começar a contagem dos dados de 2018). Neste ano, de eleição, alguns Estados passaram a cooperar menos com o Ibama na fiscalização, inclusive perdoando garimpeiros após um ataque a uma base do Ibama no Amazonas. A expectativa de anistia é o quanto basta para que as quadrilhas que atuam na extração de madeira e na grilagem de terras acelerarem a predação sobre a floresta, e foi isso o que se verificou.
Esse quadro tende a ser o novo normal nos próximos anos. Com a eleição de Jair Bolsonaro, a bancada ruralista chegou ao poder. O presidente eleito prometeu durante a campanha desmontar os controles ambientais no Brasil e é isso o que está acontecendo neste exato momento: a equipe de transição, com ruralistas na liderança, esfacela as atribuições do Ministério do Meio Ambiente mesmo sem formalmente extingui-lo. Cenários extremos projetados por cientistas brasileiros indicam que o desmatamento – e as emissões de gases de efeito estufa dele resultantes – pode triplicar na Amazônia, retornando aos patamares do início do século, caso o novo governo cumpra suas ameaças. Mesmo que o pior não aconteça, a tendência para os próximos anos é de mais devastação, mais violência no campo, mais poluição e menos eficiência na produção de commodities na Amazônia. É bom já ir se acostumando.
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