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Escrito por Neo Mondo | 21 de junho de 2018

Atualmente, a produção de carne emite o mesmo volume de Gases do Efeito Estufa (GEEs) de que todos os carros, caminhões, aviões e navios do planeta juntos. No Brasil, além das emissões, a produção pecuária está constantemente associada à retirada de direitos de trabalhadores, povos indígenas e comunidades pressionadas pela expansão da fronteira de produção agropecuária. De cara, você pode pensar que isso é um absurdo, mas pense de novo. Leve em conta todas as florestas desmatadas na Amazônia para virar pasto, que já ocupa mais de 60% das áreas desmatadas na região. Ou nas plantações de soja, que ocupam grandes desertos verdes por todo o centro-oeste e cerrado e que servem basicamente para alimentar animais na Europa e na China. Não parece mais tão absurdo assim, não é?
Se não forem controladas, as emissões da indústria de proteína animal podem comprometer a meta internacional de não exceder os 1,5º Celsius de aumento na temperatura média global até o final do século. Segundo os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), da Organização das Nações Unidas (ONU), esse é um limite determinante, que se ultrapassado, pode contribuir para o aumento de cenários de eventos climáticos extremos no planeta. Traduzindo: se passar desse ponto, meu amigo, é a gente que cozinha!
Então como fazer? Por onde começar? Pelo consumo! Aliás, repensando nossa relação com a comida que consumimos. É fato, porém, que exercer uma relação mais responsável com nosso consumo cotidiano passa pelo aumento do apetite dos poderosos em parar de autorizar o uso de mais veneno na nossa comida, mais crédito ao pequeno produtor familiar de base ecológica e pelo respeito ao direito de saber do consumidor.
Para aqueles que já podem fazer essas escolhas, há uma responsabilidade de exercer o comer como ato político. Reduzir o consumo de carne e derivados pode contribuir, e muito, positivamente nesse sentido. O raciocínio de que ‘menos é mais’ é o tema central do relatório lançado em março de 2018 pelo Greenpeace, que aponta que a produção e o consumo mundial de carne e laticínios devem ser reduzidos pela metade até 2050, para evitar a aceleração das mudanças climáticas e acirramento de violações de direitos associados à produção de proteína animal.
O Greenpeace envia um chamado às prefeituras e governos estaduais de todo o mundo para que incentivem a redução do consumo de proteína animal, a partir de programas e parcerias que proporcionem uma produção mais justa e alimentação mais diversificada e saudável, com menos carne e mais vegetais.
O Brasil tem experiências bem-sucedidas nesse sentido, como o projeto Escola Sustentável, lançado pelo Ministério Público da Bahia e liderado pela Humane Society International (HSI), que promove a redução do consumo de carne e incentiva a aquisição de produtos da agricultura familiar em escolas públicas no interior da Bahia. Programas da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) também demonstram que esta mudança de hábito alimentar é possível, e só em São Paulo, atende 1,7 milhão de alunos da rede estadual de ensino.
A verdade é que não tem planeta B para vivermos. A atual forma de produção de commodities no Brasil está longe de favorecer o Brasil a produzir e consumir alimentos de outra forma. Estimular uma alimentação mais variada, com menos carne e veneno na merenda escolar, é estimular nossos filhos a fazer essa mudança positiva se multiplicar. Seja na escola, na faculdade ou numa casinha de sapê.
Queremos comida variada, adequada e saudável!
Menos carne. Mais Floresta. Mais água. Mais saúde e mais respeito aos nossos direitos .
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