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Escrito por Neo Mondo | 22 de outubro de 2018
O estudo explica que o aumento do número de enchentes está relacionado à intensificação da circulação de Walker, um sistema de circulação do ar originado pelas diferenças de temperatura e pressão atmosférica sobre os oceanos tropicais. Esse sistema influencia padrões climáticos e pluviométricos em toda a região dos trópicos.
O estudo é resultado de uma oficina internacional que Jochen Schöngart, pesquisador do Inpa e um dos autores do artigo, organizou com cientistas da University of Leeds em Manaus, em janeiro de 2016, para fazer uma levantamento do conhecimento atual sobre as mudanças recentes do clima e da hidrologia na bacia Amazônica.
De acordo com Manuel Gloor, da Escola de Geografia da Universidade de Leeds, esse aumento dramático nas enchentes é causado por mudanças nos oceanos vizinhos, particularmente os oceanos Pacífico e Atlântico e como eles interagem. Ainda segundo Gloor, devido ao forte aquecimento do Oceano Atlântico e ao resfriamento do Pacífico no mesmo período, foram observadas mudanças na chamada circulação de Walker, afetando a precipitação na Amazônia.
“O efeito é mais ou menos o oposto do que acontece durante um El Niño. Em vez de causar seca, leva a uma maior convecção e precipitação intensa nas regiões central e norte da bacia Amazônica”, disse Gloor ao site do Inpa.
As mudanças no ciclo hidrológico da bacia Amazônica têm sido graves, com consequências para o bem-estar das populações no Brasil, Peru e outros países amazônicos. Segundo Schöngart, a ciência deve fazer uso desse conhecimento atualizado para aperfeiçoar modelos existentes de previsão de cheias na Amazônia Central e servir de subsídio para os tomadores de decisão elaborar políticas públicas, já que terão previsões mais robustas e com certa antecedência.
“Isso permite preparar as populações em áreas urbanas e nas regiões rurais para enfrentar consequências de cheias severas que sempre impactam a qualidade de vida dessas populações”, destaca Schöngart. “As pessoas perdem moradia, sofrem várias doenças, serviços básicos como água potável ficam restritos e a pecuária e agricultura são bastante reduzidas nas várzeas, resultando em enormes prejuízos econômicos e sociais para essa parte da sociedade.”
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Estudo feito no Inpa e publicado na revista Science Advances mostra que a frequência aumentou cinco vezes em 100 anos (foto: Jochen Schöngart / Inpa)[/caption]
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