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Queda no desmatamento da Amazônia em agosto não altera cenário geral de destruição da floresta

Escrito por Neo Mondo | 11 de setembro de 2020

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Queimada na Amazônia - Foto: Divulgação

POR - WWF-BRASIL / NEO MONDO

 
O sistema Deter do INPE-Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais divulgou hoje (11/09) os dados completos de desmatamento da Amazônia referentes ao mês de agosto
  Embora os 1.359 quilômetros quadrados de floresta desmatados em agosto representem uma queda de 21% em relação à destruição aferida no mesmo mês de 2019, esse é o quinto maior total mensal de desmatamento da série histórica.  Como a queda é em comparação com 2019 – ano em que o desmatamento foi recorde – ela não altera o patamar de destruição da Amazônia, que continua alarmante. “Como diz a sabedoria popular: uma andorinha só não faz verão. É importante reconhecer e parabenizar essa queda, mas é mais importante que essa tendência permaneça por vários meses para que o desmatamento na Amazônia retorne a níveis que o Brasil já alcançou no passado e caia ainda mais, de modo a permitir que alcancemos as metas que o próprio país estabeleceu”, analisa Mariana Napolitano, gerente do Programa de Ciências do WWF-Brasil. O número de agosto também não é suficiente para inverter a tendência de crescimento das queimadas no bioma – e que se alimentam da matéria orgânica deixada no solo pelo desmatamento. “Quem desmatou agora precisa queimar para ocupar o solo e setembro é o segundo mês mais seco na Amazônia, portanto a última janela de oportunidade para fazer isso mais facilmente”, alerta Mariana. “Isso ajuda a entender porque os incêndios na Amazônia aumentaram 85% nos primeiros 10 dias de setembro em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Inpe”, completa. O processo de desmatamento e queimadas que transforma floresta em, majoritariamente, áreas de pastagem é o grande responsável pelas emissões dos gases de efeito estufa do Brasil – que contêm também poluentes que causam doenças respiratórias.  “Atualmente, Pantanal e Amazônia têm não só sua biodiversidade em risco, mas também a saúde pública”, ressalta Mariana. Desmatamento e queimadas são algumas das principais causas de perda de biodiversidade no mundo, segundo o relatório Planeta Vivo (ver aqui), lançado ontem pelo WWF. De acordo com o estudo, de alcance global, em menos de meio século as populações globais de mamíferos, aves, anfíbios, répteis e peixes diminuíram, em média, 68%.  Essa queda vertiginosa, registrada entre 1970 e 2016, se deve, em grande parte, aos mesmos processos de destruição ambiental que contribuem para o surgimento de doenças zoonóticas como a Covid -19: desmatamento, depredação ambiental e o comércio ilegal de animais selvagens.   No caso da sub-região tropical das Américas, que inclui a Amazônia, a situação é ainda pior: a quase totalidade (94%) das populações das espécies estão em franco declínio. As atuais taxas de desmatamento na Amazônia e no Cerrado nos conduzirão a mais secas, queimadas, desaparecimento de espécies, novas doenças e vidas humanas ameaçadas. A opção que governos, empresas e sociedade fizerem agora irá determinar nosso futuro, conclui Mariana.
Desmatamento na Amazônia - Foto: Divulgação

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