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Escrito por Neo Mondo | 9 de novembro de 2018
Com esta desconstrução, o interesse público fica vulnerável neste embate e as premissas consistentes perdem a força dos argumentos versus ao chamado movimento de “manada” articulado por interesses setoriais, que se constroem na generalidade superficial, sem colocar à mesa todos os cenários possíveis.
Ao traçar uma retrospectiva sobre o conjunto de legislações ambientais, vimos que o país poderia estar muito adiante na experiência prática do desenvolvimento sustentável, se suas políticas nacionais (estaduais e municipais) estivessem, de fato implementadas. Mas a maioria requer de regulamentações, fiscalizações regulares, mudança do padrão cultural de comportamento por meio de um exercício de educação para a sustentabilidade, desburocratização e de releitura do papel político para o seu exercício democrático...
Por outro lado, dentro do próprio sistema governamental há interesses distintos entre as pastas (ministérios, secretarias), cujas divergências fazem com que o meio ambiente seja historicamente menosprezado nessas relações de poder. Sim, se trata de uma questão de poder, que interage com o jogo de forças nas áreas executiva e legislativa.
Nesse cenário, se encontram fragilizadas, apesar da resiliente Constituição brasileira de 88, a Lei de Proteção à Fauna, as Políticas Nacional de Meio Ambiente, de Educação Ambiental, Recursos Hídricos, Resíduos Sólidos , de Saneamento, de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais, sobre Mudança do Clima, o atual e polêmico Código Florestal, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) , as resoluções Conama. Este trabalho “Trajetória da Política Ambiental” no Brasil, de Adriana Maria Magalhães de Moura (com dados até 2015) é uma boa fonte de consulta sobre estes importantes documentos.
O que deflagra de forma mais emblemática esta disrupção é uma situação recente. O Congresso brasileiro, por não ter ratificado (depois de quatro anos), o Protocolo Internacional de Nagoya da Biodiversidade, resultou na exclusão do Brasil como ator nas decisões sobre o tema, no âmbito das Convenções na Organização das Nações Unidas... Lembrando, que foi um forte articulador em todo o processo, tendo à frente um brasileiro na secretaria executiva.
Falar sobre como continua esta história ainda não é possível, entretanto, cada cidadão pode ter um papel crucial no que será escrito. Somos mais de 209 milhões!
Veja também no Blog Cidadãos do Mundo (desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade)artigos referentes aos temas acima, ao longo dos últimos anos. É só consultar na busca.
*Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada há 26 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo.
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