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Escrito por Neo Mondo | 18 de junho de 2026
Foto: Divulgação
POR - REDAÇÃO NEO MONDO
Foi com uma apresentação cultural dos indígenas Panará que começou hoje, no auditório da Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém, o “Seminário Pesquisa intercultural como ferramenta de proteção e conservação dos Territórios Indígenas” para a apresentação dos resultados do primeiro inventário de fauna e flora da Terra Indígena (TI) Panará. O encontro segue até sábado, dia 20.
Pesquisadores acadêmicos e lideranças do povo Panará compartilharam os dados de uma cooperação pioneira que uniu a ciência ao saber ancestral para proteger o coração da Amazônia. Enquanto cientistas de instituições como UFPA, Unicamp e Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em parceria com a Conservação Internacional (CI-Brasil), entraram com ferramentas digitais, aplicativos de coleta e armadilhas fotográficas (câmeras traps), os jovens e anciãos Panará trouxeram a capacidade única de decifrar a floresta.
Até o momento, o projeto registrou 14.823 animais de 602 espécies, sendo 27 ameaçadas de extinção, como: o macaco Zogue-zogue (Plecturocebus vieirai) ou vulneráveis, a exemplo do Tatu canastra (Priodontes maximus). Há também as espécies que eram desconhecidas dos Panarás, como a Maria-leque (Onychorhynchus coronatus) e a Perereca-de-vidro (Hyalinobatrachium cappellei).
A iniciativa permitiu rastrear espécies criticamente ameaçadas e monitorar a qualidade da água do rio Iriri, essencial para a sobrevivência dos indígenas da região, fortemente pressionada pelo avanço do garimpo ilegal e da agricultura industrial. Os resultados desse trabalho serão debatidos durante os três dias do seminário.
O projeto gerou impactos sociais imediatos dentro das aldeias, incluindo o "Cine Bicho", um momento de exibição das imagens da fauna para a comunidade, e colaborou para o fortalecimento cultural do povo por meio do registro em áudio e vídeo dos nomes dos animais no idioma Panará. Os debates e dados que começaram a ser divulgados hoje podem ser acompanhados de forma gratuita:
O objetivo do encontro, iniciado com uma celebração da cultura Panará e que está sendo traduzido simultaneamente para o idioma Panará, é mostrar que a pesquisa intercultural é um caminho viável e urgente para a proteção de outras áreas sensíveis da Amazônia.
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