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Escrito por Neo Mondo | 2 de fevereiro de 2026
Formações basálticas, resultantes do resfriamento de magma na superfície terrestre, possuem características químicas que lhes permitem reagir rapidamente com CO2 injetado, transformando-o em minerais sólidos - Foto: Beatrice Murch/Wikimedia Commons
POR - AGÊNCIA FAPESP* / NEO MONDO
Projeto CABRA, com investimento de R$ 10 milhões, estudará sinergias entre usinas de etanol e formações basálticas na Região Sudeste
O Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) e a Equinor, empresa global de energia presente no Brasil há mais de 20 anos, estão desenvolvendo o projeto Carbon Storage in Brazilian Basalts (CABRA). Com investimentos de cerca de R$ 10 milhões, a iniciativa de pesquisa, desenvolvimento e inovação avaliará a viabilidade de formações basálticas como reservatórios para armazenamento de CO2 proveniente de usinas de bioetanol.
O RCGI é um Centro de Pesquisa Aplicada (CPA) constituído com apoio da FAPESP, da Shell e participação de outras empresas, com sede na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP).
O projeto será focado nas formações basálticas da Bacia Sedimentar do Paraná, onde estão concentradas as usinas de bioetanol da Região Sudeste. Essas rochas ígneas, formadas pelo resfriamento do magma na superfície terrestre, possuem características químicas que lhes permitem reagir rapidamente com o CO2 injetado, transformando-o em minerais sólidos.
Além da caracterização geológica, serão realizados estudos de engenharia necessários para a execução de um possível projeto-piloto. Dessa forma, pretende-se avaliar a capacidade de injetividade, volume de armazenamento e tempo de mineralização do CO2 injetado nas formações rochosas.
“O projeto CABRA reforça o compromisso do RCGI em desenvolver soluções científicas que contribuam para a descarbonização da matriz energética brasileira. Trata-se de uma iniciativa que alia excelência acadêmica à experiência de uma empresa global de energia, com potencial de gerar conhecimento e tecnologias de alto impacto para o país”, afirma Julio Meneghini, diretor científico do RCGI.
O Brasil ocupa posição de destaque na geração de bioenergia e consolidou-se como o maior produtor mundial de etanol a partir da cana-de-açúcar. Embora seja uma alternativa mais sustentável que os combustíveis fósseis, essa cadeia produtiva ainda emite CO2 em suas etapas de processamento. Integrar a produção de bioetanol a tecnologias de captura e armazenamento geológico de carbono pode inverter esse balanço.
* Com informações da Assessoria de Imprensa do RCGI.
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