Carbono Destaques Economia e Negócios Emergência Climática Meio Ambiente Segurança Sustentabilidade
Escrito por Neo Mondo | 3 de setembro de 2025
Santa Helena Alimentos atinge marco de Aterro Zero em sua planta de Ribeirão Preto (SP) - Foto: Ilustrativa/Freepik
POR - OSCAR LOPES, PUBLISHER DE NEO MONDO
Empresa de Ribeirão Preto inaugura novo capítulo na sustentabilidade industrial com biodigestão, coprocessamento e reaproveitamento de resíduos
A Santa Helena Alimentos acaba de alcançar um marco histórico em sua trajetória de sustentabilidade: o Aterro Zero em sua planta industrial de Ribeirão Preto (SP). O feito simboliza muito mais do que um número ou uma meta cumprida — representa uma virada de chave no modo como a indústria alimentícia brasileira pode lidar com seus resíduos, alinhando inovação tecnológica, eficiência operacional e responsabilidade socioambiental.
Leia também: Dia Mundial da Reciclagem: um chamado à reinvenção dos nossos hábitos e sistemas
Leia também: Por que precisamos apontar o caminho do Lixo Zero para as empresas?
Com a implementação de um projeto estratégico de gestão de resíduos, a companhia eliminou totalmente o envio de materiais para aterros. A mudança foi viabilizada por uma série de iniciativas integradas: o reaproveitamento de recicláveis, a comercialização de resíduos de varrição para ração animal, o uso de coprocessamento para os rejeitos finais e a instalação de um biodigestor aeróbico, capaz de transformar resíduos orgânicos em água cinza.
“Trabalhamos com metas claras e mensuração de impacto. A sustentabilidade precisa fazer parte do negócio com consistência e rastreabilidade”, afirma Luciana Vidal de Oliveira, coordenadora de Meio Ambiente da Santa Helena.
O marco alcançado é resultado de anos de investimento em infraestrutura, modernização de processos e capacitação de equipes. A lógica é simples, mas poderosa: o que antes seria tratado como descarte passa a ser enxergado como recurso.
No caso da Santa Helena, resíduos que antes teriam como destino os aterros agora ganham novos usos. O biodigestor aeróbico simboliza esse movimento, transformando rejeitos orgânicos em água que pode ser reutilizada em processos industriais. O restante segue fluxos igualmente sustentáveis: materiais recicláveis são enviados para reaproveitamento e resíduos não recicláveis são encaminhados ao coprocessamento em fornos de cimenteiras, garantindo a eliminação total da destinação para aterros.
O conceito de Aterro Zero não é novidade no mundo, mas no Brasil ele ainda enfrenta desafios estruturais. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), o país gera mais de 80 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos ao ano, dos quais apenas 4% são reciclados. Cerca de 40% ainda são destinados a aterros sem qualquer reaproveitamento.
Nesse cenário, o avanço da Santa Helena ganha relevância nacional. A companhia, conhecida pela produção de amendoins e doces tradicionais, torna-se referência em gestão sustentável de resíduos no setor alimentício, provando que práticas empresariais responsáveis podem ser também eficientes e competitivas.

O impacto do projeto ultrapassa os muros da fábrica. Ao destinar resíduos de varrição para a produção de ração animal, a empresa fortalece cadeias produtivas locais e gera valor compartilhado. Ao investir em rastreabilidade e inovação, cria um modelo que pode inspirar pequenas e médias empresas, que enfrentam desafios maiores de infraestrutura.
Do ponto de vista ambiental, a redução da pressão sobre aterros significa menos emissão de gases de efeito estufa e mais eficiência na gestão dos recursos. Já sob o olhar social, a conquista aproxima a empresa de compromissos globais como os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), em especial o ODS 12 — Consumo e Produção Responsáveis.
Especialistas em sustentabilidade destacam que o Aterro Zero da Santa Helena abre caminho para uma nova lógica produtiva: uma indústria que repensa seus fluxos, reduz passivos ambientais e reconhece no resíduo uma oportunidade.
Se por um lado a iniciativa demonstra o potencial de empresas de grande porte, por outro revela o desafio de escalabilidade. Como replicar este modelo em micro e pequenas indústrias que não dispõem dos mesmos recursos? É nesse ponto que políticas públicas, incentivos fiscais e parcerias intersetoriais se tornam fundamentais.
Para saber mais sobre o Grupo Santa Helena, clique AQUI.
O Brasil aprovou a sua própria bomba-relógio ambiental
ArcelorMittal transforma sucata em estratégia
Carbono azul reposiciona o Brasil no mercado global de soluções climáticas