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Escrito por Neo Mondo | 15 de outubro de 2020
Foto - PixabayJá em cenários em que se considera a desoneração dessas taxas, o valor presente líquido renderia pelo menos o dobro do esperado com atividades convencionais. Rever a legislação pode ajudar a incluir o pequeno produtor neste novo ciclo de crescimento sustentável no campo. "O Brasil tem um grande potencial para expandir a plantação de florestas nativas", diz Raul do Valle, diretor de Justiça Socioambiental do WWF-Brasil e um dos autores do estudo. "Mas, para tanto, precisamos ajustar nosso marco legal, simplificando e barateando procedimentos para uma atividade que gera não só benefícios econômicos, mas também ambientais. O estudo aponta alguns caminhos e, principalmente, mostra que não é tão difícil". Plantio e manejo de áreas restauradas Na opinião dos autores, uma das formas de tornar a atividade florestal mais atrativa ao produtor rural é a possibilidade de gerar renda a partir do plantio e manejo sustentável de áreas restauradas. Plantações florestais com espécies nativas têm um papel importante na promoção de paisagens sustentáveis, pois podem produzir madeira e produtos florestais não-madeireiros, além de oferecer serviços ambientais de relevância para a sociedade, como sequestro de carbono, regulação do ciclo hídrico, recuperação de solos e conservação da biodiversidade. São, portanto, florestas multifuncionais. Com altas taxas de crescimento, essas florestas poderiam suprir, em um futuro próximo, boa parte das demandas doméstica e internacional nos mercados de madeira tropical. O Brasil assumiu voluntariamente compromissos nacional e internacionais de restaurar e reflorestar pelo menos 12 milhões de hectares de florestas até 2030. O Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) foi estruturado nesse contexto e traça estratégias para o alcance das metas. Uma delas é criar mecanismos eficientes que garantam o cumprimento da Lei de Proteção de Vegetação Nativa, com a recuperação de passivos de Áreas de Preservação Permanente (APPs) e Reserva Legal (RL). Estimativas indicam que há cerca de 19 milhões de hectares de passivo - ou seja, áreas irregularmente desmatadas nas quais a vegetação nativa precisa ser recomposta. Desse total, 11 milhões de hectares estão em reservas legais. Estudo do WRI Brasil mostrou que 39% das áreas degradadas da Amazônia e 46% das áreas degradadas do Pantanal têm alto potencial de regeneração natural. Mas em biomas mais fragmentados, intensivamente explorados ou mais vulneráveis à desertificação, como os casos da Mata Atlântica, do Cerrado e da Caatinga, menos de 10% das áreas desmatadas têm alto potencial regenerativo. Portanto, em muitos casos, será necessária uma ação efetiva de plantio. Ações efetivas de plantio tem custos altos associados, e a possibilidade de uso econômico dessas florestas podem custear parte da restauração, ainda mais se a atividade for desonerada de taxas que não contribuem efetivamente para o controle e gestão da atividade pelo estado.
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